Estrangeiros inscritos na Maratona de Tóquio 2023 podem alterar a inscrição para 2024

A próxima edição da Maratona de Tóquio está marcada para o dia 5 de março. A prova volta a ter participação estrangeira após 4 anos. 

Apesar da confirmação, existe ainda uma grande preocupação com o avanço do COVID-19 no Japão e os organizadores informam que estão tomando as medidas necessárias e todos os cuidados para que a prova ocorre sem problemas.  

Para entrar no Japão

O governo japonês exige que todos forneçam um certificado de vacinação COVID-19 válido, com 3 doses da vacina ou um certificado de resultado negativo do teste COVID-19 até 72 horas antes da viagem. 

Alteração da inscrição para 2024
Como há dificuldade de saber como estará a situação da pandemia na época do evento, os organizadores estão oferecendo aos corredores internacionais a opção de adiar a inscrição para a Maratona de Tóquio 2024 (com data provisória para 03/03/2024).

 

Você deverá entrar no seu perfil do site oficial (https://www.marathon.tokyo/en/), em MY ENTRY, entre 8 de dezembro, às 10h (JST) e 12 de dezembro, às 17h (JST), para fazer a opção de alteração (fuso horário Brasília: entre 7 de dezembro, às 22h, e 11 de dezembro, às 5h)

Você receberá um e-mail de confirmação da alteração, que deverá ser guardado, uma vez que agora esta informação não estará disponível no perfil. Aqueles que optarem pela alteração serão notificados por e-mail quando a informação estiver disponível, por volta de junho de 2023. 

Uma vez feita a alteração, você não poderá voltar atrás.


Todas as suas informações cadastradas para o evento de 2023 serão transferidas automaticamente para 2024, não precisando portanto fazer um novo cadastro. 

Corredores de caridade não precisarão fazer doações adicionais.

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A Abbott World Marathon Majors lança programa para ajudar corredores a completar a jornada das Six Majors

Com o objetivo de ajudar os corredores a finalizar a jornada em busca da Six Medal, a Abbott World Marathon Majors lançou esta semana um programa  que vai disponibilizar 2 mil vagas para os membros AbbottWMM.com conseguirem avançar na sua missão de de ingressar no Six Star Finisher Hall of Fame, hoje composto por 8.067 finalistas.

Estas inscricões, todas para 2023, serão disponibilizadas em forma de sorteio e poderão participar do processo todos os corredores que tenham seus perfis no site oficial e que estejam no caminho para completar as Seis Majors.

O processo de seleção inicia com as três Majors realizadas no primeiro semestre de 2023, no dia 9 de novembro.

Para as Maratonas de Tóquio e Boston, serão disponibilizadas vagas somente para aqueles que já têm 5 estrelas. Já para as Maratonas de Londres, Berlim, Chicago e Nova York, corredores com 3, 4 ou 5 estrelas serão elegíveis para o sorteio. Confira abaixo tabela de vagas e os corredores elegíveis para cada uma das seis provas

MAJOR Número de Vagas Corredores elégiveis*
Tóquio 100 5 estrelas
Boston 150 5 estrelas
Londres 500 3, 4 e 5 estrelas
Berlim 500 3, 4 e 5 estrelas
Chicago 250 3, 4 e 5 estrelas
Nova York 500 3, 4 e 5 estrelas

* Os corredores devem ter seus perfis atualizados no site www.Abbottwmm.com


CRONOGRAMA PARA OS SORTEIOS DAS MARATONAS DO 1º SEMESTRE DE 2023

MAJOR NOTIFICAÇÃO POR E-MAIL DEADLINE  INSCRIÇÃO SELEÇÃO DE CORREDORES DATA DA CORRIDA
Tóquio 09/11 16/11 17/11 05/03
Boston 21/11 29/11 30/11 17/04
Londres 05/12 12/12 14/12 23/04

IMPORTANTE:
Aqueles que pretendem completar as seis Majors precisam atualizar seus perfis e reivindicar suas estrelas para serem elegíveis para os sorteios.

Os corredores elegíveis receberão um e-mail na data mencionada acima, convidando-os a fazer parte do processo de seleção para a Major em que ele se qualifica.

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Dicas de Berlim BY FERNANDA PARADIZO

Crédito da Foto : ©SCC EVENTS / Sebastian Wells

A Maratona de Berlim está marcada para o dia 25 de setembro e reunimos 3 dicas especiais para quem está se preparando para correr.

1. A Expo de Berlim, e de qualquer outra Major, é sem dúvida um show à parte. A de Berlim acontece no Airport Tempelhof (Platz der Luftbrücke 5), um aeroporto desativado que possui uma área espaçosa e agradável. Aliás é onde acontecerá este ano também o Breakfast Run, no sábado de manhã, que antes largava no Castelo de Charlottenburg e chegava dentro do Estádio Olímpico. Ainda sobre a Expo, apesar de acontecer em três dias, procure retirar seu kit assim que chegar à cidade, de preferência no primeiro ou no máximo no segundo dia de feira. Europeus e alemães vindos de outras cidades costumam chegar no sábado e fica praticamente intransitável a feira, principalmente a loja oficial, da Adidas, que vende produtos com a logomarca da prova. Aliás, a oferta de produtos oficiais é boa, mas não espere preços convidativos.

2. Berlim é uma prova plana, perfeita para recordes, mas tenha cuidado com o início de prova, que pode se apresentar um pouco congestionado principalmente nos primeiros 10 km, mesmo com a largada por baias e ondas. Os postos de abastecimentos são bem fartos. Há 14 ao longo do percurso, com água, isotônico e frutas. Fique atento porque, até o km 15, há mesas dos dois lados, depois apenas no lado direito.

3. Além de rápido, o percurso de Berlim é bonito e passa por vários pontos turísticos da cidade, como a Coluna da Vitória, o Parlamento Alemão, a antiga sede do Senado de Berlim Oriental, a Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche e outros marcos importantes da Alemanhã. Como se isso não bastasse, os corredores são coroados antes da linha de chegada com passagem pelo Portão de Brandenburgo, o marco mais famoso da Alemanha. Aliás, quando dobrar a esquerda e avistá-lo, segure o sprint porque após passar por baixo do portão ainda haverá alguns metros até a linha de chegada.

Crédito da Foto : ©SCC EVENTS / Sebastian Wells

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Bela Vista de Havana

Bela Vista de Havana
por: Ney Aires

It’s not just extreme human endurance

that captivates me,but also extremes

in geography and climate.

Dean Karnazes (ultramaratonista)

Lembro-me bem. Era manhã de um domingo chuvoso de
abril, há uns três anos, quando resolvi pôr em ordem a
minha pequena biblioteca. De repente, um livro que li em
meus tempos de secundarista caiu-me às mãos como num passe
de mágica: A Ilha, de Fernando Morais.
Primeiro, admirei-o, depois o afaguei. Finalmente, retirei suavemente
um marcador de livros já desbotado pelo tempo e repleto
de anotações. Li com avidez as quase ingênuas anotações do
meu tempo de adolescência. E assim, tomado de nostalgia, iniciei
a releitura deste livro que foi tão importante para mim nos anos
plúmbeos, que caracterizaram a minha juventude.
Desta maneira ocupei todo aquele domingo cinzento, no início
sem muito que fazer, relendo esse livro. Logo depois, naquele
mesmo dia, quis rever o filme Buena Vista Social Club, do diretor
alemão Wim Wenders. Em seguida, vi também o Habana Blues,
de Benito Zambrano. Completei o dia assistindo ao Suite Habana,
de Fernando Pérez, o documentário que narra um dia na vida de
vários cubanos. E foi assim que nasceu o embrião do plano de
correr a Maratona de Havana – a Marabana.
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Para impulsionar a decisão de ir a Cuba, nos meses seguintes,
aprofundei meus conhecimentos sobre a famosa ilha caribenha.
Principalmente sobre a revolução cubana. Também sobre o atual
modus vivendi do povo cubano. Além disso, busquei informações
mais precisas sobre a Marabana.
A Cuba relatada por Fernando Morais nos anos 70 não é mais
a de hoje. Aquele momento era o auge das transformações sociais
proporcionadas por Fidel Castro. A invasão da Baía dos Porcos – o
tour de force de Fidel – ainda permanecia viva na memória dos
cubanos. O bloqueio norte-americano difundia um sentimento
de nacionalismo muito grande em todo o povo. O socialismo era
apoiado pela União Soviética, tanto no aspecto financeiro como no
diplomático. Na realidade, os soviéticos substituíram os americanos,
enviando petróleo e comprando quase toda a produção de açúcar.
Além de apoio militar, a União Soviética ajudava tecnicamente
na construção de escolas, hospitais, na infraestrutura em geral.
Desde a libertação de Cuba do domínio espanhol por José
Marti, na virada do século XIX, os Estados Unidos assumiram a
posição de novos dominadores, ao apoiar os sucessivos ditadores
que defendiam os interesses estadunidenses. Com Fulgêncio Batista,
a Ilha foi dominada pelos gângsteres (inclusive Al Capone),
pela prostituição, pela jogatina. Além disso, grande parte das
terras produtivas de Cuba estava nas mãos de grandes empresas
norte-americanas.
O objetivo precípuo da revolução cubana foi, sem dúvida, a
mudança neste status quo. O triunfo da revolução deveu-se ao
apoio dos campesinos em primeira instância e depois do povo em
geral. Com a queda do Muro de Berlim, o desmantelamento do
comunismo na União Soviética e a separação das repúblicas socialistas,
assim como a ineficiência do modelo socialista no mundo
inteiro, Cuba, consequentemente, entrou em crise profunda
com a crescente retirada do apoio da Rússia.
A Cuba de hoje possui problemas econômicos profundos: racionamento
de alimentos, produção agrícola estagnada, muitos
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problemas de infraestrutura e a crônica falta de energia, embora
a importação de petróleo seja subsidiada pela Venezuela. Entretanto,
lentamente, Cuba retoma o intercâmbio comercial com o
mundo. Com exceção, é claro, dos Estados Unidos.
Com a retirada de Fidel Castro do cenário político – ao menos
formalmente – há uma abertura lenta, incentivada pelo seu
irmão Raúl. Claro, ainda existem vários presos políticos e isso é
inadmissível em qualquer regime que tenha pretensões democráticas.
Também não há direito pleno de ir e vir do cidadão cubano.
Principalmente em viagens ao exterior, é necessária uma autorização
especial do governo. Para isso, já há mudanças previstas por
Raúl Castro.
Com a eleição de Barack Obama, há uma grande esperança
de que as relações com os Estados Unidos tomem um novo rumo,
embora o lobby anticastrista na Flórida tenha um poder avassalador
no congresso americano.
É evidente que o socialismo idealizado pelos revolucionários
de Sierra Maestra não atingiu o seu objetivo pleno. A universalização
do ensino, o sistema de saúde eficiente e gratuito para todos
os cubanos, a melhoria no acesso à moradia, a segurança, o apoio
aos esportes são reconhecidamente um sucesso. Assim, foram admiráveis
e inacreditáveis todos esses êxitos, porque nenhum outro
país teria suportado por muito tempo o embargo econômico e diplomático
imposto pela OEA, capitaneado pelos Estados Unidos.
Os ideais de Che Guevara, Fidel, Camilo Cienfuegos e outros
foram seguidos fielmente pela maioria da população cubana. Ao
mesmo tempo, houve uma resistência do povo cubano às tentativas
dos contrarrevolucionários de restabelecer a ditadura nos
moldes de Batista.
A sustentabilidade da revolução cubana foi movida por ideais.
Che Guevara foi o maior dos idealistas e, ainda hoje, é reconhecidamente
um herói em Cuba e considerado a figura mais importante
na Revolução Cubana. Com sua morte, tornou-se um mito em
todo o mundo. Ernesto Che Guevara parecia flertar com a morte
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desde cedo. Antes mesmo de ser o Che, antes de se formar em medicina,
aventurou-se com o amigo Granado pela América Nuestra
de motocicleta. Nessa viagem, transformou-se definitivamente, ao
ver de perto a miséria do continente dito latino-americano.
Alguns anos depois, já trabalhando como médico no México,
Che conheceu Fidel Castro e o irmão Raúl, exilados, após serem
libertados da prisão em Cuba. O destino foi traçado então. Che
tornou-se grande amigo de Fidel e com ele e oitenta e dois guerrilheiros
partiu no pequeno barco Granma de volta a Cuba para
fazer a revolução.
Asmático, brilhantemente inteligente e culto, disciplinado e
convicto de seus ideais, logo Che tornou-se comandante de um pelotão
de guerrilheiros em Sierra Maestra. E foi deste modo que teve
início a construção de um mito que até hoje perdura, espalhado
mundo afora.
Por que Che abandonou o comando do Ministério da Indústria
de Cuba, o cargo mais importante depois do ocupado por Fidel
e aventurou-se na selva do Congo para transplantar a revolução?
Por que, então, com o fracasso no Congo, foi fazer a revolução
na Bolívia? Um enigma ou simplesmente idiossincrasia de uma
mente inquieta?
Quando Che foi capturado e morto em La Higuera, na selva
boliviana, pelo Exército boliviano e pela CIA, de certa maneira ele
sabia que sua morte faria nascer o mártir da revolução cubana.


Escrevo esta introdução sentado no La Bodeguita del Médio,
entre goles de mojito – uma mescla de rum, limão, açúcar e hortelã
– e daiquiri, o drinque preferido de Ernest Hemingway. Aqui,
dizem, Hemingway escreveu quase todo Por Quem os Sinos Dobram
– considerado por muitos sua melhor obra, se excluirmos
O Velho e o Mar – durante os vinte anos que viveu em Cuba. Este
bar-restaurante, sempre cheio de turistas atraídos pelo fato de aqui
Hemingway ter sido um habitué e ter criado, ele mesmo, alguns
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dos drinques da casa, serve também a cozinha tipicamente cubana,
a gastronomia criolla. Peço, com certa displicência, um picadillo
habanero. Enquanto o garçom me serve, anoto os nomes de
famosos que autografaram a parede à minha frente: Hemingway,
Nat King Cole, Fidel, Pablo Neruda e outros.
Antes de deixar La Bodeguita, acendo um charuto. Não fumo
há anos; há muitos anos mesmo. Mas, vez por outra, por diletantismo,
me arrisco a fumar um “puro” cubano – um Cohiba, o
melhor de todos. E aqui em Cuba, neste propício bar-restaurante,
reservo-me este prazer proibido aos maratonistas profissionais.
Já noite avançada, extremamente cansado, um pouco embriagado
pelo excesso de rum puro e de vários mojitos, com as pernas
trôpegas e trêmulas pelo esforço da maratona da manhã de hoje,
vou caminhando pelas ruelas quase desertas e escuras da Habana
Vieja, em direção ao meu hotel.
Depois de caminhar nessas ruas e ruelas estreitas sem nomes
visíveis, carregando o medo renitente da insegurança brasileira
ao andar em lugares desertos à noite, de repente chego a uma pequena
praça e vejo um bar ainda aberto – El Huracán Cubaño.
Surpresa! O bar totalmente cheio. E surpresa maior ainda quando
chego bem nos fundos à procura de uma mesa. Vejo alguns maratonistas
que conheci durante a concentração e na linha de chegada.
Inicialmente, tinha a intenção de permanecer ali por pouco
tempo. No entanto, depois de longas conversas sobre a maratona
e, principalmente, sobre a “ditadura do proletariado”, sobre a crise
atual do capitalismo, resolvemos, por indicação, avançar na noite
no Habana, um club no Hotel Meliá, para os lados do Vedado,
frequentado quase exclusivamente por turistas e, talvez, o melhor
de Havana.
No dia seguinte, acordo bem cedo. Dia de voltar pra casa, depois
de mais uma maratona. Certamente esta terá um enorme destaque
entre as tantas outras de que já participei. Então, no café da manhã
mesmo, inicio o relato desta prova, que corri com tanto prazer e
admiração por esta cidade que um dia sonhei conhecer.
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A concentração para a largada da maratona La Marabana
ocorre na Rua Brasil, bem ao lado do Capitólio. Resolvo fazer um
leve aquecimento ali. Enquanto me alongo, um grupo de corredores
cubanos passa por mim. Vejo também uma velha de mãos
dadas a uma menina jovenzinha. Ambas parecem felizes, como se
mutuamente se protegessem. E todos cumprimentam um grupo
de basureros (lixeiros), como se fossem amigos do mesmo bairro.
Um grupo de estudantes vindo da província de Pinar del Rio
junta-se àqueles corredores felizes e seguem em direção à largada.
Depois de mais alguns minutos de aquecimento, deixo a Rua
Brasil. Acompanho os outros corredores em direção à largada e me
junto a um pequeno grupo de maratonistas. Vladimir, de meia-
-idade, lembra bem um intelectual. Com muita satisfação, ele me
informa mais alguns detalhes sobre o percurso. Depois, já impactado
dentro da baia da linha de largada, ainda converso com um
alegre grupo de corredores da meia maratona.
Por instantes percebo ali o grau de felicidade do povo cubano,
apesar do constante racionamento, da renúncia (ou abdicação)
ao luxo em prol do bem comum. De certa maneira, vejo naquele
lugar simples a confirmação empírica do Paradoxo de Easterlin
– um estudo do professor de economia da Universidade da Califórnia,
Richard Easterlin – que proclama: “Depois de preencher
as suas necessidades básicas, o aumento constante na renda não
influencia em nada no grau de felicidade dos seres humanos.”
Acrescente-se, claro, em nível abrangente, coletivo.
À espera do tiro de largada, aprecio a Praça do Capitólio –
uma réplica do Capitólio de Washington, afirmam os cubanos,
ainda um pouco mais alto –, que abriga hoje o Departamento de
Ciência e Tecnologia. É um prédio realmente muito bonito!
Faz pouco tempo que o sol nasceu. A temperatura gira em
torno dos dezessete graus. Há uma brisa fria que sopra do Caribe,
perfeitamente suportável. Enquanto o sol se levanta, a praça se enche
vagarosamente. Percebo que há muitos corredores estrangeiros,
a maioria europeus e muitos canadenses. Alguns americanos,
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apesar da proibição de viajarem a Cuba. Também muitos maratonistas
do interior da ilha, assim como de todas as grandes cidades
de Cuba, esses últimos financiados pelo governo cubano. Isto é,
para os cubanos, a Marabana é totalmente grátis, desde a inscrição
até a estadia.
Faltam poucos minutos para as sete horas da manhã. Antes
de me posicionar para a largada, apalpo os bolsos do meu short.
Certifico-me dos oito sachês de géis diferenciados, da cafeína e do
Tylenol, que levo comigo por contingência e agora, com certeza,
do tablete de sal. O sal é a bola da vez.
Muito tem se falado da perda de sódio durante provas muito
longas. A hiponatremia seria o fenômeno que mais atormenta os
corredores de longa distância, notadamente depois do quilômetro
trinta. A hiponatremia, na realidade, ocorre depois de uma
perda exagerada de eletrólitos. Com a perda de sódio, magnésio
e potássio, surgem as dores musculares, cãibras e o aumento
dos batimentos cardíacos. A ingestão excessiva de água durante
a maratona agrava a situação. O rendimento cai drasticamente.
O ideal, diz dr. Lewis G. Maharam, diretor-médico da New York
Road Runners, é que “se tome um copinho de água a cada vinte
minutos de corrida.” É evidente que isso depende da variação da
temperatura. Mas, mesmo assim, é um contrassenso beber água
exageradamente. O ideal, nesses casos de muito calor, é resfriar o
corpo com muita água, se possível gelada, derramando-a na cabeça,
nos pulsos e nas costas.
Antes de ouvir o som da corneta de largada, mecanicamente
procuro no pulso o GPS. Pela primeira vez, em vinte e nove
maratonas, vou correr sem cronômetro. Propositadamente, nem
mesmo o trouxe comigo, pois pretendo correr aqui em Havana o
mais confortavelmente possível. Afinal, esta é a sexta deste ano e
a redução do esforço se faz necessária. Desta vez, quero sentir o
prazer de correr sem marcar o tempo a todo instante.
No primeiro quilômetro, vou passando por edifícios coloniais
da Velha Havana. Alguns bem preservados, outros decadentes.
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No geral, os aprecio com deleite. Enquanto os observo, vou tentando
estabelecer o ritmo sem muito esforço. Os batimentos cardíacos
também já consigo controlar sem o monitor, consequência
natural de muitas rodagens e provas ininterruptas.
Entrando no segundo quilômetro, vejo o Hotel Sevilla e lembro-
me de Graham Greene em Nosso Homem em Havana. Neste
livro, bem ali embaixo da balaustrada, ocorre o assassinato do turista
holandês, na Havana à beira da revolução castrista. E imagino
se realmente houve o crime ou seria apenas uma invenção bem
elaborada de escritor.
Após o segundo quilômetro, passo em frente ao Museu da
Revolução. Um belo edifício dos anos vinte de estilo neoclássico,
residência de vários presidentes antes da revolução. Seu acervo
conta com uma documentação completa, fotos, filmes da libertação
cubana, assim como a exposição do barco Granma. Também
várias homenagens à vitoriosa batalha da Baía dos Porcos.
Ainda no período inicial da prova, vou correndo displicentemente.
Deixo apenas os quilômetros passarem lentamente, como
em um slow-motion.
Logo depois do Museu da Revolução, em torno do terceiro quilômetro,
me aproximo lentamente de uma maratonista morena,
alta, cabelos lisos e pretos. Alargo o passo. O meu pace é confortável.
Ela sente que me aproximo, mas não olha para trás. Quando
fico lado a lado, falo com firmeza: “Qué tal, guapa?” – Ela me olha
obliquamente. O rosto belo e suave brilha de suor. Tem olhos incrivelmente
dourados, beirando o tom amarelado dos lobos. Entretanto,
como uma gazela, parece correr sem esforço algum.
Confesso que gostaria de ter tido uma longa conversa. Mas ela
foi demasiadamente sucinta, monossilábica. Talvez não estivesse
bem treinada para falar e correr ao mesmo tempo. Perceptivelmente,
sua respiração se tornou ofegante. Quando se aventurava
a falar um pouco mais, era demasiadamente rápida e resvalando
num espanhol quase incompreensível. Depois de alguns minutos,
ela voltou à sua concentração, após trocarmos informações banais
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sobre Cuba e Brasil. Compreendi a situação, acelerei lentamente
os meus passos e a deixei para trás.
Poucos minutos depois, estou correndo no Malecón. Vejo à
minha esquerda o sempre visível Castillo de la Punta, com o seu
indefectível farol. Viro à direita e contemplo toda a orla marítima
mais famosa de Havana. Aqui o vento sopra com força, sempre.
Com tanta força, aliás, que parece um resquício do furacão Paloma,
que sacudiu a ilha na semana passada.
Agora prefiro correr só. Há um grupo à minha frente, mas
prefiro escutar apenas o barulho vigoroso das ondas se chocando
de tempos em tempos no quebra-mar. Neste ínterim, consigo
ouvir também o som da cinética humana. Os passos ritmados daqueles
que correm nas proximidades. É fascinante!
Pouco mais de uma hora de corrida – calculo superficialmente
pela quantidade de quilômetros – entro no Vedado, o bairro
moderno de Havana, de arquitetura bem distinta da Velha Havana
e do Centro Habana. Ali estão alguns cinemas, pizzarias e
bons restaurantes. À noite, o bairro se transforma e se divide em
territórios. Há o pedaço dos maricones, no final do Malecón. Há
o dos mais ou menos punks, o dos travestis, o das lésbicas e o das
prostitutas de luxo. Todas estas tribos convivem pacificamente
numa sociedade socialista.
No bairro Colón, avisto um companheiro de maratonas, o
peruano Pablo, acompanhado de um grupo de conterrâneos.
Aproximo-me lentamente e me envolvo no alegre bate-papo. Alterno-
me sistematicamente entre os participantes deste simpático
grupo, enquanto vou reconhecendo as ruas simples deste bairro,
cenário constante do livro A Trilogia Suja de Havana, de Pedro
Juan Gutierrez. E continuamos em grupo, de volta ao Centro Habana,
onde passaremos pelo limite da meia-maratona.
Quando entro na Plaza de La Revolución, vejo estupefato o
enorme rosto de Che Guevara na fachada central do prédio do Ministério
do Interior. Esta praça bem conservada, harmonicamente
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bela, possui no seu centro o imponente monumento a José Marti,
que se torna até pequeno, diante do monumentalismo da silhueta
de Che.
Finalmente chego à meia-maratona. Agora tenho que repetir
o mesmo percurso de volta. A Marabana é como muitas maratonas
ao redor do mundo. Os corredores passam pela chegada da
meia. A diferença aqui é que repetimos o mesmo percurso anterior.
Muitos optam por parar na metade, isto é, concluir apenas a
meia-maratona. Por isso, a quantidade de maratonistas diminui
sensivelmente, restando apenas os bravos guerreiros da competição
completa.
Volto a passar em frente ao Museu da Revolução. Mas agora
por volta do quilômetro trinta e dois. Então percebo que o mar
enfureceu-se de vez lá no Malecón. O vento sopra com uma ferocidade
atroz. A ressaca inunda toda a avenida, despejando uma
enorme enxurrada de água sobre os corredores. Com extrema dificuldade
enfrento todo o trajeto de volta, com um sem-número
de subidas e descidas.
Bem perto do final, por volta do quilômetro quarenta e um,
passo por um americano. Ouço claramente as reclamações exasperadas:
Goddammit, it hurts all over, my fucking legs! Tento animá-
lo. Mas sei que, nesta situação, não há nada a fazer, senão
arrastar-se com resignação até o pórtico de chegada. Que atravesso,
finalmente, com certo alívio!
Depois de ter corrido tantas maratonas, já não sinto tão fortes
emoções na chegada. Quando cruzo a linha, não choro e não
considero um clichê mencionar isto. O que sinto é um estado de
êxtase, uma sensação física de liberdade, provavelmente desencadeada
por reações hormonais alimentadas primordialmente pela
grande quantidade de endorfina.
No entanto, esta maratona em particular me emocionou profundamente.
Principalmente por estar aqui entre este povo tão
sofrido e tão alegre ao mesmo tempo. É por isso que, em provas
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como esta, não busco uma coroa de louros, tampouco procuro
bater o meu próprio recorde constantemente. Busco, sim, conhecer
as narrativas de vida dos corredores, os fatos históricos, a origem
das cidades por onde corro.
Dessa maneira, exaurido e entorpecido, sento-me no meio-
-fio. Com o corpo molhado, cabelos desgrenhados e a medalha no
peito, observo os basureros removendo alegremente a sujeira da
sarjeta e da área de chegada. Vejo alguns policiais em dupla admirando
os atletas que displicentemente vão e vêm. Os pedintes
que me estendem as mãos. E o condutor de charrete Lorenzo, que
se aproxima e quer apenas a amizade de um brasileiro. Vejo os
felizes retardatários chegarem estoicamente, com total satisfação,
estampando no rosto a felicidade por mais um desafio vencido.
Com toda esta atmosfera suave, inundada por um sol flébil
e morno de outono, lembro a minha frase preferida de Che: “As
tantas rosas que os poderosos murchem nunca conseguirão deter
a primavera.”
Deixo Cuba, portanto, carregado de emoções vivas. Penso na
América do Sul e em suas veias abertas. Penso ainda que, se atravessarmos
toda a América dita Latina em direção ao sul, veremos
os seus contrastes, os desertos, suas cadeias de montanhas, seus
campos verdejantes, e chegaremos ao fim do mundo. Um caminho
que o explorador europeu trilhou há séculos.

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Corredoras e Segurança

De tempos em tempos há um aumento da preocupação com a segurança de mulheres que praticam corrida. O assassinato de Ashling Murphy (*), em janeiro deste ano, provocou a mais recente onda de interesse por esse assunto, além da revolta em relação ao tema. Cerca de metade das mulheres que praticam corrida dizem que já foram assediadas durante a atividade física. A indignação das mulheres em torno desse assunto é bastante significativa. Esse cenário tem que mudar. Mas como?

Recomendações recentes e discutíveis
Historicamente, as recomendações têm focado em como as mulheres podem agir para se protegerem. Entre essas recomendações inclui não correr sozinha, não correr em certas áreas, não se vestir de certa maneira, etc. Não é surpresa que tais recomendações nem sempre sejam bem aceitas. Embora muitas vezes as recomendações sejam bem intencionadas, e, às vezes, até sensatas, é no mínimo injusto, o fato de se esperar que as mulheres estejam, na grande maioria das vezes, mais em risco e sejam mais “cuidadosas” do que os homens.

Ideias ‘novas’
O desejo de abordar a causa raiz do problema vem ganhando força. Se pudermos incentivar o bom comportamento, especialmente dos homens mais jovens (que constituem a grande maioria dos infratores), isso deveria, em teoria, diminuir a taxa de assédio além de outros comportamentos. Se pudermos encontrar um meio de fazer isso, o mundo pode ser um lugar mais seguro para a prática de corrida para todos.

Foram feitas diversas boas sugestões com as quais realmente concordamos. Entre elas estão:

·         Confrontar declarações injustas/ofensivas em situações sociais
Ao argumentar ativamente amigos, colegas, etc. quando comentários misóginos (e similares) são feitos, estabelece/reforça que tal posicionamento é inaceitável.

·         Correr tendo maior consideração pelas mulheres corredoras.
Na verdade, esta é uma lista de sugestões, principalmente para os homens que praticam corrida, sobre como correr de uma forma que não deixe as mulheres nervosas, por exemplo, avisar quando você está prestes a ultrapassá-las, e deixar o máximo de espaço possível ao fazê-lo.
Temos consciência de que isso não reduzirá o perigo ou o assédio. É improvável que a “minoria problemática” torne-se mais gentil. Entretanto, se uma maioria bem intencionada mantiver ou adotar estes hábitos, temos a esperança de que, de alguma forma, isso irá prevenir ou reduzir o mal-estar.

O governo e os órgãos públicos mostram tolerância zero ao assédio
O setor público e as organizações esportivas precisam promover ativamente um comportamento digno e reprimir qualquer forma de assédio. Como disse o Diretor de Desenvolvimento da UKA, Mark Munro: “Devemos permanecer juntos e ter tolerância zero em relação a qualquer comportamento desse tipo, além disso, temos que garantir que qualquer pessoa se sinta confortável e tenha o direito de praticar exercícios em público em segurança”.

Fonte: Runner 247

Tradução: Eagle Translations

(*) Ashling Murphy era uma professora primária irlandesa de 23 anos que na tarde de 12 de janeiro de 2022,  foi atacada e morta enquanto corria ao longo do Grande Canal nos arredores de Tullamore, Condado de Offaly, na Irlanda. O assassinato provocou um novo debate sobre a violência contra as mulheres, e vigílias para Murphy foram realizadas em toda a Irlanda e no mundo. Um homem eslovaco de 31 anos, Jozef Puška, foi preso em 18 de janeiro e acusado de seu assassinato no dia seguinte.

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Vai viajar para os EUA? Então fique atento aos novos protocolos

Nos meses de dezembro e fevereiro, eu, Vera Abruzzini, responsável por este perfil, fiz duas viagens aos Estados Unidos. Com a certeza da abertura da fronteira para os vacinados e não contaminados, fica claro que o retorno da rotina de quem viaja para o exterior para correr já é uma realidade.

Se você pensa em viajar para fazer qualquer prova nos Estados Unidos ainda neste semestre (e teremos a Major Boston em abril), coloco aqui  algumas informações importantes para que sua viagem seja tranquila.

Mesmo que a pandemia tenha números de óbitos e contaminações menores, acreditamos que os cuidados sanitários devem continuar, pelo menos no ano de 2023, como uso de máscaras, distanciamento social e higienização de mãos.

A primeira viagem foi feita pela American Airlines e a segunda pela Latam.

Se você optar pela American Airlines, há um excelente aplicativo chamado Veryfly, em que você controla todos os documentos que precisa apresentar para sua viagem. Lembre-se: quem faz esse controle é a companhia aérea. Em nenhuma das vezes, em todos os aeroportos que estive em território americano, me perguntaram se eu estava vacinada ou tinha o antígeno com negativo para COVID-19.

Vamos aos tópicos do aplicativo Veryfly

  • Crie login e senha e preencha todos os dados: número de voo, origem, destino, número do passaporte, onde ficará hospedado etc. (tire uma foto sua e coloque no perfil).
  • Faça o upload do comprovante do ciclo completo de vacinação.
  • Faça o upload do exame de antígeno ou PCR 24 horas antes da hora do embarque (só o antígeno para entrar nos EUA).
  • Preencha o formulário da Anvisa (vai aparecer um link no aplicativo).
  • O aplicativo vai dando o OK naquilo que já está legal para o embarque. Se tudo correr bem com seus exames, você terá antes do embarque o sinal verde para entrar no avião e seguir a sua aventura.

Lembre-se: quando for fazer o exame de antígeno, se optar por fazer no aeroporto, não esqueça as suas informações pessoais e documentos como estadia, dados da passagem aérea, documentos pessoais. No caso de fazer o exame em Guarulhos, por exemplo, na CR DIAGNÓSTICOS, tudo funciona com leitura de QR Code. Você paga mais, mas já sai com tudo bem encaminhado. O antígeno fica pronto em 1 hora. O PCR demora um pouco mais. Você terá login e senha no site da empresa para fazer o download do documento. Você também terá a disponibilidade da entrega do exame físico, no próprio aeroporto. Todos os exames são em inglês e português. Lembrando que, para território americano, só o exame de antígeno é o suficiente.

Se você optar pela Latam, você terá de ter os documentos no celular e/ou fisicamente. Eles não têm aplicativo.


Minha sugestão é grampear tudo com a documentação que a Latam gera pelo e-mail chamado E-Ticket e entregar na hora do check-in. O aplicativo da Latam Airlines tem o link para o preenchimento do formulário da Anvisa. Não me parece que o pessoal de balcão tenha controle disso. Então, depois de preencher esse formulário, baixe no seu celular ou imprima (são 17 páginas).

Na volta, você terá de apresentar tudo isso mais uma vez, com a novidade que 24 horas antes da data do seu embarque para o Brasil você terá de apresentar um exame de antígeno negativo para COVID-19. E não esqueça, todo o resto também vai acontecer, como formulário da Anvisa e mais uma vez mostrar o seu ciclo de vacinação completo.

Você pode estar se perguntando: “Onde fazer esse exame em território americano?”

Na minha primeira viagem, era o início da Ômicron. Os exames gratuitos não eram fáceis de serem encontrados. Fiz um antígeno em Las Vegas e paguei quase 200 dólares.

Na segunda viagem, estava em Orlando e foi muito mais fácil achar um local do próprio governo com antígeno e PCR gratuitos. O antígeno ficou pronto em menos de 2 horas e o resultado chegou por e-mail.

Outra coisa importante para você saber é que, por conta da pandemia, muitas lojas e restaurantes mudaram seus horários de abertura. Então cheque tudo com antecedência para não ficar na porta esperando aquela loja abrir. Normalmente, as lojas, outlets e shoppings abrem às 10h. Na Flórida, vi muitas abrirem às 11h.

Hotéis mudaram o protocolo. No Hilton, por exemplo, eles perguntam se você quer a camareira todos os dias.


Muitos restaurantes precisam de reserva, porque não estão com a equipe 100% trabalhando. Cheque antes para não se frustrar.

E, para finalizar, as companhias aéreas estão trabalhando com equipe reduzida. Em Orlando, por exemplo, a Latam não tinha nenhum funcionário brasileiro no check-in. Se você não fala inglês e não entende nada de espanhol, tenha paciência.

Cada Estado americano tem uma “lei” para uso de máscaras e isso cria uma certa confusão. Na dúvida, use máscara em locais fechados. Opte pelas N95 e PFF2.

No avião, é obrigatório o uso de máscara todo o tempo, exceto na hora da alimentação ou hidratação. A tripulação fica de olho. Cubra nariz e boca. E lembre-se que você deverá dormir de máscara dentro da aeronave.

Ficou alguma dúvida? Pergunte nos comentários.

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Cuidado! Cães à solta!

Na edição de 2021 da Corrida Internacional de São Silvestre, realizada no dia 31 de dezembro, uma cena chamou atenção nas redes sociais e até gerou muitas brincadeiras e memes por parte dos corredores. O atleta Samuel Nascimento, 9º colocado na prova, foi perseguido e atacado por um cachorro na altura do km 11 da corrida, nas imediações da Praça da República, e por muito pouco não levou uma mordida. Ser atacado por cães – ou outros animais – em treino ou numa corrida não é nenhuma novidade para quem corre na rua ou em trilhas. E o que não falta é corredor para contar história de algum perrengue vivido com algum animal. Aproveitamos que o assunto ficou em alta para ouvir algumas histórias de corredores que já passaram algum apuro com um cachorro à solta.


“Era um sábado normal de fevereiro de 2020, dia de treino longo. Faltavam pouco mais de 2 meses para a Maratona de Boston, confirmadíssima para abril. Tinha acabado de completar 3 anos morando em Curitiba e, durante todo esse tempo, dificilmente mudava o trajeto dos treinos. Neste dia, já tinha completado o trecho de ida e, no retorno, na segunda metade do treino, vi de longe 3 ou 4 cachorros deitados na calçada. Achei normal, mas fui um pouco mais para a pista de carros, porque eu já tenho um certo trauma – quando eu era bem criança e brincava na rua, o cachorro do vizinho se soltou e quase saiu me arrastando. Passei anos até conseguir pegar um elevador com cachorro dentro, por exemplo. Quando me aproximei um pouco mais, um dos cachorros (todos de rua, daqueles vira-latas babando) já avançou, me afrontando e latindo. Em seguida, os outros fizeram o mesmo. Parei de correr no meio da rua e virei de costas para eles, sem me mexer, pensando que eles desistiriam. E nada! Também não passava um carro, zero movimento, era muito cedo! No primeiro passo que dei para andar e atravessar a rua, um deles me mordeu na panturrilha. Eu senti a fisgada, mas pensei: ‘já mordeu, agora vou correr. E corri sem olhar para trás para saber se eles me perseguiam’. Até que um ônibus passou e acredito que tenha afastado eles. Corri mais uns 300 metros até um posto de gasolina, onde consegui lavar minha perna com água e sabão. Esperei o sangue estancar e continuei o treino normalmente, até chegar em casa. Depois foi um longo sábado procurando onde poderia tomar a vacina antirrábica, preenchendo formulários de ocorrência. Depois disso, vida ‘quase’ normal, porque, depois disso, se eu vejo um cachorro de longe, sempre desvio o caminho!”

Tatiana Lima Valério, Curitiba, PR

 

 “Minha aventura se passou no Atacama com um pastor alemão. Saí bem cedo do hotel para um treino de 10 km. Ao final do treino, já retornando pela estrada de terra que dava acesso ao hotel (cerca de 1,5 km da cidade), passei por um muro bem alto e ouvi o latido de cães. Segui correndo ao lado do muro, pela estrada. Dois cães subiram no muro e foram me acompanhando e latindo. Continuei correndo… de repente, um deles (pastor alemão) pulou o muro e veio correndo atrás de mim. Quanto mais eu corria, mais ele se aproximava. No desespero, parei e fiquei frente à frente com ele, que latia cada vez mais, se aproximava e recuava, como que calculando o momento para o ataque. Comecei a gritar com todas as minhas forças com o cachorro para que se afastasse. Eu gritava e ele latiu por aproximadamente intermináveis 2 a 3 minutos. O cão foi reduzindo os latidos, eu comecei a me afastar bem devagar, olhando sempre para ele. Aos poucos fui tomando coragem de dar as costas e seguir caminhando devagar até não o escutar mais. Então, corri como se não houvesse amanhã até alcançar a entrada do hotel, quando me sentei e não tive forças para levantar ou parar de tremer até ser ‘resgatada’ pelo meu marido. Até hoje não posso ver um pastor alemão. Lembranças do Atacama para todo o sempre.”

Georgia Tardin Costa, Vitória, ES


“Vitória da Conquista, BA, dia 25 de maio de 2020. Às 5:30 da manhã iniciei meu treino de corrida. O trajeto era o habitual para treinos com um pouco de aclive. Na maioria das vezes, sempre havia cachorros de rua no final da avenida, mais conhecida como subida da UFBA. A recepção era a de sempre, todos eles me acompanhavam latindo. No entanto, sempre precavido, diminuía a marcha e ficava olhando para trás até que parassem. Então retomava meu ritmo e seguia naturalmente o treino. Isso se tornou rotina e fui me acostumando com a situação, pois comecei a achar que não passaria de simples latidos e que eles não morderiam, mesmo porque era assim com meus amigos também. Só que nesse dia tive a ‘brilhante ideia’ de ignorá-los e manter o meu ritmo, pois já estava me sentindo confiante e achava que não aconteceria nada. Engano meu! Recebi uma mordida sinistra. A dor foi daquelas que dói na alma. A cadela cravou os dentes com muita vontade. A mordida foi perto do tornozelo do pé direito e atingiu o lado interno e externo, sendo que na parte interna foi um corte profundo que acabou inchando toda a região do pé. Moral da história: parei o treino de imediato, tive que caminhar 2 km sentindo dor até chegar ao meu carro. Por sorte encontrei um amigo que estava caminhando e é médico. Ele me passou todas as orientações e a primeira delas foi lavar de imediato com bastante água corrente e sabão. Em seguida, procurar o serviço de saúde especializado. Segui todas as recomendações e tive que ficar no estaleiro por uma semana. Mas, ao retornar, tive que aguentar gozações dos colegas. Disseram que depois disso meu pace melhorou e que seria interessante tomar uma mordida dessa por mês.”

Antônio Cezar Lemos, Vitória da Conquista, BA

 

 “Eu e meu técnico, Batista, estávamos voltando de um treino, cortando caminho para casa, por causa do cansaço. Ouvi latidos altos, mas não me importei porque vi que o cachorro estava preso. Assim que chegamos na frente da casa, o cachorro enfiou o focinho no portão e, com muita habilidade arrastou o portão de alumínio sobre trilho e pulou para fora, em cima da gente. Como o Batista tem cachorro grande em casa, abriu os braços e,  de frente para ele, gritou para que parasse. Eu, muito amedrontada, tentava subir em um carro, mas o suor do corpo só me deixou escorregando, sem sucesso, até à chegada do dono para prender o peralta. Até hoje o Batista ri da minha reação, tremendo e tentando, em vão, subir no carro. Numa outra situação, eu e um grupo de amigos treinávamos nas trilhas de Alcaçuz e tivemos a companhia de um bode, que nos acompanhou, com uma alegria canina, por mais de 3 km. Adoramos a companhia, rimos muito e em momento algum sentimos medo dele. E nos causou até espanto a boa forma do nosso ‘pacer’, que ora ficava ao nosso lado, ora ficava à nossa frente, conduzindo-nos e estimulando-nos a melhorar a velocidade daquele treino.”

Vanusa Barreira, Natal, RN


“O meu perrengue com cachorro foi há alguns anos, quando morava em Brasília. Era um sábado e saí para um treino de 16 km no Parque da Cidade. Na época, tinha o hábito de correr com fone de ouvido, ouvindo música. Estava curtindo a música e o treino, num trecho em descida, quando senti um impacto por trás, nas duas pernas. Saí cambaleando até cair de vez e me ralar inteira. Olhei para trás e vi um casal com uma guia na mão gritando pelo cachorro que estava fora da coleira. Era um cocker spaniel, pesado o suficiente para me jogar no chão e causar um belo estrago. Os donos do cachorro, ao invés de me ajudarem, fugiram do local assim que conseguiram prender o cachorro na guia. Outros corredores pararam para me ajudar e chamaram uma equipe que fazia a segurança do parque. Naquela época, as equipes usavam carros do modelo Ford K, que tinham o apelido de joaninhas. Peguei carona numa joaninha até o portão mais próximo de casa – conseguia andar até a minha casa, mas não tinha condições de continuar o treino. Passado o susto (e a raiva por perder o treino), comecei a achar graça do fato de ter andado de joaninha, mas virei a chata dos cachorros fora da guia. Cães são maravilhosos e tenho certeza de que aquele cachorro não quis me atacar. Mas os tutores precisam ter consciência de que animais são imprevisíveis e que, portanto, cabe aos tutores a responsabilidade de sempre presar pela segurança de quem está ao redor.”

Luana Fleury, Estocolmo, Suécia

 




“Era um sábado, cerca de 5h45 da manhã, horário que costumo treinar em Brasília. Eu morava na época do lado do Parque da Cidade. Naquele dia estava vazio. Eu estava correndo devagar e, de repente, dei de frente com uns 5 ou 6 cachorros. Não deu tempo de fazer muita coisa. Não tive muito tempo para pensar. A única coisa que fiz foi tentar ir para cima deles para tentar intimidá-los, levantando os braços e dando uns gritos. Eles fizeram um círculo, me rodearam e começaram a latir já querendo me morder. Dei um chute em um e outro já me mordeu. Essa brincadeira durou um minuto mais ou menos. Foi um momento de muito pânico. Fiquei bem apavorado. Tomei 3 mordidas, mas na hora só percebi uma delas Continuei tentando intimidá-los, dando chutes e ao mesmo tempo levantando os braços para ver se iam embora. De repente, eles pararam e foram embora. Só percebi as 3 mordidas quando parou. A partir do momento em que vi que estava sangrando muito, parei de correr e fui caminhando para casa, que ficava aproximadamente uns 2 km dali. Cheguei em casa e minha esposa tomou um susto. Lavei a perna e formos para o hospital. Levei pontos em 2 das mordidas, tomei alguns medicamentos, como antibiótico e  anti-inflamatório, e depois fui para um posto de saúde tomar a antirrábica. Depois que voltei para casa, minha esposa ligou para um órgão que recolhe e cuida desses animais de rua. Foram 3 ou 4 dias sem correr. A recomendação era para ficar mais tempo, mas voltei antes. Fiquei uns dias ainda com uma certa fobia de cachorro. Tinha um certo receio de cruzar com algum. Ter vivido essa experiência foi um verdadeiro filme de terror. Mas, por um lado, bom que tenha sido comigo, porque se fosse uma pessoa idosa ou uma criança, poderia ter acontecido algo mais grave. Já me recuperei, mas até hoje tenho as marcas das mordidas.”

 

Flávio Guimarães, Brasília, DF

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial
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O longo caminho até Boston

A 125ª Maratona de Boston será realizada no dia 11 de outubro, com um número menor de participantes devido à pandemia.  Com o limite de 20 mil inscritos e uma janela maior (por conta do cancelamento da edição 2020) para comprovação índice, o tempo de corte para a disputa aumentou para 7:47, deixando muitos de fora. Se os sonhos de alguns foram interrompidos, aqueles que conseguiram, em maio deste ano, confirmar a participação na edição 2021 estavam, sem dúvida, esperançosos de que em outubro a pandemia já estivesse controlada e as regras para entrar e sair dos países já estivessem normalizadas. No entanto, o tempo passou e não foi bem o que aconteceu. Muitas ainda estão bem rígidos em relação à autorização de turistas, obrigando pessoas oriundas de algumas países, como o Brasil, a cumprir quarentena para atravessar algumas fronteiras.

Com isso, a “ginástica” para criar um roteiro para chegar a Boston passou a ser o principal requisito para nossos inscritos que ainda sonham em correr a prova. A maioria deles optou por quarentena no México ou algum outro país da América Latina para poder entrar nos Estados Unidos sem problemas.

A paulistana Nanci Vilano de Salvo reside em Blumenau e em Florianópolis, SC, e aproveitou o filho que mora em São Paulo para montar sua logística de viagem rumo aos Estados Unidos.

“Ao realizar a inscrição, minha intenção era participar da maratona com ou sem quarentena. E me planejei adequadamente para que  fosse desta maneira. Farei a quarentena em Cancún”, conta Nanci, que viaja na terça, 21/09, de Guarulhos, SP, para o destino inicial da sua viagem rumo a Boston. 

No caribe mexicano, a ideia é ficar em 3 resorts diferentes e talvez até e incluir no roteiro uma passagem por Playa del Carmen, que fica a 70 km de Cancún. E, como a planilha não pode parar, as hospedagens foram escolhidas a dedo. “Selecionei tudo levando em consideração a opção de possuir academia, pois não deixarei de seguir a planilha do coach Marcos Paulo durante este período”, explica a corredora, que vai para sua terceira vez em Boston. A primeira em 2017 e a segunda em 2018. “Na primeira tive uma amidalite uma semana antes da prova e precisei mudar a estratégia da corrida. Mesmo assim fiz uma ótima prova. Na segunda vez, foi o ano que choveu torrencialmente. Terminei, mas não foi nada fácil. Treinei exclusivamente para Boston.  Vou descansar, continuar treinando e estar preparadíssima para a prova.”

Antes de embarcar com destino aos EUA, dois dias antes (06/10) Nanci fará o teste de Covid, exigido para entrar no país. “Poderá demorar até 24 horas para estar disponível. E, caso tenha algum erro, ainda terei tempo para refazer o exame.”

O casal Anamélia e João Dami viaja para o México nesta segunda, dia 20/09, para completar pela terceira vez a prova. “Reservamos um apartamento em Playa Del Carmen e ficaremos lá até 06/10. O teste de Covid dando negativo, embarcaremos para Boston no mesmo dia. Em Boston vamos ficar em hotel, aproveitar a cidade e seus parques lindos. E entrar na vibe surreal da maratona”, conta Anamélia, que aproveitou a viagem para planejar mais uma maratona nos Estados Unidos.  “Dia 12/10 vamos para Nova York, onde no sábado 16/10 correremos a NYCRUNS Prospect Park, no Brooklyn.”

Anamélia e João Dami



A corredora Tatiana Lima Valério, de Curitiba, PR, completará sua quarta Maratona de Boston este ano, além da virtual em 2020. Ela optou por fazer a quarentena na Cidade do México, para onde embarcou no domingo, 19/09, saindo de São Paulo, aproveitando uma viagem a trabalho à capital paulista. “No dia 08/10 vou para Boston, contabilizando os 14 dias completos exigidos de quarentena, mais 4 dias extras de segurança para não gerar questionamentos”, conta Tatiana, que não vai incluir nenhuma prova durante a quarentena.

Tatiana Lima Valério



A última maratona presencial da paranaense foi em 2019, exatamente em Boston, que com certeza tem um lugar especial no seu coração. “Quero completar 10 consecutivas lá.”

Quem está prestes a completar sua 10ª maratona só em Boston é o mineiro Paulo Lima, de Uberlândia. Com 277 maratonas completadas em 41 países e 5 continentes, a pandemia adiou o sonho das 300 e Nilson vai aproveitar a viagem para dar uma esticada a mais e aumentar o número de maratonas no já recheado currículo. Serão oito programadas em menos de 40 dias.

Ele também viaja nesta segunda, dia 20/09, para Guadalajara, no México, onde cumpre a quarentena, e já tem a primeira maratona programada para o próximo fim de semana. Fará no dia 26/09 a Maratona de León. No dia 06/10, viaja para Boston e, no final de semana seguinte, 09/10, corre a Maratona de Hartford, em Connecticut. Dois dias depois, na segunda, 11/10, faz sua 10º Maratona de Boston.

“É uma prova repleta de história: a mais antiga do mundo. A exigência do qualify faz dela o ‘selo de qualidade’ do maratonista. O envolvimento da população é impressionante. Foi lá pela primeira vez que uma mulher correu os 42 km, disfarçada de homem”, lembra Nilson apenas alguns alguns detalhes que fazem de Boston tão especial. “Tenho um amigo brasileiro, Paulo Fernandes, que mora lá há 17 anos e há 5 anos tenta ser sorteado para trabalhar como voluntário. Este ano ele conseguiu e estará no km 18, servindo água.”

Depois de Boston, Nilson ainda tem pela frente as Maratonas do Brooklyn, NY (16/10), Atlantic City, NJ (17/10), Cleveland, OH (24/10), Marine Corps, Washington, D.C (31/10), antes de terminar seu roteiro em grande estilo, na celebração dos 50 anos da Maratona de Nova York (07/11).

Nilson



Também da cidade de Uberlândia, MG, a corredora Neiva Temporim Ribeiro não teve dias fáceis no último ano. “Resolvemos aqui em casa me dar esse presente.  Além da pandemia, um câncer de mama entrou no caminho. Mas já estou recuperada e treinando dentro das novas limitações impostas pelo tratamento. Mas o mais importante: estou viva e cheia de vontade de correr”, comemora Neiva, que carimbou o passaporte para Boston com o qualify obtido em 2019 na Maratona de Chicago.

Neiva Temporim Ribeiro



Sua viagem rumo ao sonho de Boston começa também nesta segunda, 20/09, quando segue para o México para fazer a quarentena em Playa del Carmen. Como parte de preparação para a maratona, além dos treinos, fará uma meia maratona virtual pelas ruas de Playa (Corrida da Ame). A viagem para Boston está marcada para o dia 06/10. 
“Após Boston, vou descer para a Flórida para visitar amigas e depois subo para Nova York para correr a maratona no dia 07/11.”


Se a maioria já está com seus roteiros de viagem praticamente organizados e planejados, o mesmo não podemos dizer do gaúcho Jacques Fernandes, que mora em Sintra, Portugal, e está vivendo um “drama” à parte para conseguir confirmar sua presença pela 8ª vez seguida em Boston, desde 2013, além da virtual em 2020.

Não bastasse a questão da necessidade de quarentena, ele ainda precisa resolver a renovação do visto para entrar nos Estados Unidos. “Minha programação está bem doida ainda. Estou planejando ir para o México na terça (21/09) e ficar lá tentando resolver isso. Tenho acompanhado no mundo todo os consulados e o único lugar que eventualmente abre uma vaga é lá. Já aconteceu por duas vezes de eu olhar e ter uma vaga no dia seguinte para Tijuana ou Laredo”, conta Jacques, que tem uma ligação muito forte com Boston e por isso o esforço de querer estar lá. “Muitas coisas importantes marcaram outras edições que corri da prova, como o ano do atentado, a morte do meu pai, corrida com amigos, o bonde do sub 3h. Cada ano teve seu momento e sua história. É uma maratona que corro leve e os quilômetros passam voando. Sinto como se o público me carregasse. Ou quem sabe mesmo meu pai correndo comigo!”

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Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial



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Dicas de 1 a 10: para correr e curtir a cidade

Vai viajar para correr uma prova internacional e acredita que seu tempo é curto para curtir tudo o que a cidade oferece? Veja aqui 10 dicas para aproveitar ao máximo sua viagem e conseguir curtir a cidade sem comprometer sua corrida.

1. Tente fazer um planejamento antecipado de tudo o que você quer fazer na cidade para não perder tempo, principalmente se fez aqueles pacotes curtos, em que você ficará apenas 5 dias ou menos no local. Procure fazer um roteiro diário, já colocando também tudo o que está relacionado à prova, como visita à Expo, retirada de kit, corrida no dia anterior, jantar de massas etc. Isso vai ajudá-lo a minimizar seu tempo e vai conseguir fazer as coisas com mais rapidez.

2. Para ajudá-lo na montagem do roteiro, compre um bom guia de viagens ou, com a ajuda do Google, pesquise na internet coisas do tipo “O que fazer em Nova York” ou “10 dicas para curtir Los Angeles” para saber quais atrações imperdíveis. Vai a Miami e não vai dar pelo menos uma caminhada pela famosa Lincoln Road? Faça no mínimo o básico que a cidade pede.

3. Se conseguir planejar direitinho as coisas básicas e imperdíveis, vai conseguir incluir no seu roteiro aquela atração bem especial, como assistir a uma peça na Broadway, um show imperdível em Las Vegas ou mesmo um jogo de basquete da NBA. Para isso, compre antecipadamente o ticket já no Brasil para não perder tempo com filas e evitar que os ingressos estejam esgotados.

4. Use a internet e os guias para saber tudo da cidade, mas não deixe de consultar um amigo que conheça bem o local ou que já tenha corrido a mesma prova para obter algumas dicas. Nada melhor do que quem conhece bem o local para brindá-lo com informações valiosas, que podem fazer grande diferença para planejar seus dias na cidade.

5. Na hora de montar seu roteiro, vale a seguinte dica: coloque atrações menos cansativas – aquelas que não necessitam de longas caminhadas ou ficar por muito tempo em pé – e que fiquem mais próximas do seu hotel para antes da prova. Parques, museus, atrações como mirantes, por exemplo, que são atividades que precisa andar muito, é melhor deixar para depois da corrida.

6. No caso de compras, procure também fazer antes da prova tudo o que estiver perto do hotel ou seja possível pegar táxi/uber ou metrô sem se cansar muito. Outlets demandam muito tempo e energia. É melhor deixar sempre para depois. Só tenha o cuidado de administrar bem o dinheiro para sobrar verba para comprar onde realmente vale à pena.

7. Para minimizar o tempo, veja o que consegue comprar pela internet daqui do Brasil, principalmente aqueles itens mais difíceis de encontrar ou que as lojas sejam muito específicas e não ficam próximas de onde você ficará hospedado. Antes de fazer qualquer compra, informe-se com seu hotel se é possível receber compras feitas pela internet e se o hotel cobra por isso. Além de ser prático, você encontra preços bem mais acessíveis. Assim sobra mais tempo para você curtir a cidade. Compras da Amazon nos EUA podem ser entregues em postos específicos (em geral, lojas de conveniência próximas a seu hotel ou mesmo postos da própria Amazon).

8. Para facilitar sua locomoção na cidade, assim que chegar pegue um mapa no hotel e peça dicas para entender a localização de delis (mercadinhos), cafés, restaurantes e estação de metrô mais próximas, bem como o local ideal para dar aquela corridinha. Vale baixar antecipadamente um aplicativo no seu smartphone com mapa da cidade e também das linhas do metrô ou ônibus para conseguir se orientar mais facilmente.

9. Dependendo do lugar, vale à pena alugar um carro para se locomover pela cidade ou mesmo para locais mais afastados. Faça a reserva aqui do Brasil para que os valores saiam mais em conta.

10. Não fique desconectado do mundo. Informe-se antecipadamente com sua operadora sobre os valores do uso de dados ou telefone no exterior. Isso facilitará muito sua viagem e ainda lhe dará a oportunidade de se comunicar com os amigos via redes sociais ou WhatsApp e postar fotos dos passeios e de tudo que é relacionado à corrida. Informe-se antecipadamente sobre adquirir um chip local com planos de dados. Hoje em dia, o wi-fi é gratuito na maioria dos hotéis.

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Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial
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5 motivos para ter um técnico de corrida

por Fernanda Paradizo

Correr é um esporte cativante e fácil de praticar. Um short, uma camiseta e um bom par de tênis são os itens de que você precisa para sair por aí correndo. Mas, se quiser algo um pouco mais sério e almeja benefícios da prática que vão além de apenas se manter ativo e em forma, ter o auxílio de um técnico será imprescindível para melhorar sua corrida.

1. Planejamento: Com um técnico programando todo o seu treinamento, será bem fácil fazer um planejamento de toda a sua temporada e focar melhor nos objetivos a longo, a médio e a curto prazo. Com isso, você vai conseguir ver seus resultados com muito mais clareza e ainda ter uma noção exata de quando é a hora de chegar ao ápice da sua forma física e quando é o momento de descansar e retomar as energias para o próximo objetivo. 

2. Planilha de treino: Se você tem um treinador, com certeza terá uma planilha de treino mensal para seguir. E como isso pode fazer diferença no seu treino? Simples. Com uma noção exata de todos os treinos que terá pela frente e o tempo ou a quilometragem que terá que despender para correr a cada dia de treino, você vai conseguir administrar muito melhor seus horários e entrar rapidamente numa rotina.  Além disso, sua planilha será personalizada e feita sob medida para seus objetivos e conforme seu nível técnico.

3. Comprometimento: Quando você se compromete a levar um treinamento a sério e ainda está pagando por isso, será bem mais “fácil” levar isso adiante e não ficar arrumando sempre as mesmas desculpas para deixar sua corrida para o dia seguinte. Afinal, você não apenas está gastando dinheiro com isso, mas também está criando uma relação de comprometimento com seu treinador, que fará grande diferença.

4. Feedback:  Ter o feedback de um profissional especializado é sempre um aliado a mais para manter sua motivação em alta. Fez seu treino do dia e se sentiu bem? Ótimo. É só tocar em frente. Mas e quando surge aquela canseira inexplicável, alguma lesão ou mesmo quando compromissos profissionais ou familiares da semana não deixam você cumprir toda a planilha? É seu treinador que fará os ajustes necessários para que consiga passar por cima desses contratempos.

5. Companheiros de corrida: Muitos treinadores de corrida hoje comandam uma assessoria esportiva e realizam treinos em grupo, com data e horários marcados. Isso acaba sendo uma ótima oportunidade não só para fazer amigos e trocar experiências de corrida mas principalmente para tirar proveito dos treinos em grupo, que acaba sendo um grande estímulo para dar conta daquele treino mais difícil, como tiros ou ritmos, e daqueles longões de fim de semana.

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Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial

 

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