10 dicas para correr as virtuais

Por Fernanda Paradizo

Já que a nova pedida são as provas virtuais, juntamos aqui algumas dicas para ajudá-lo a programar sua prova e não cometer erros que, depois de tanto esforço, podem custar caro, como falta do seu nome no resultado geral ou até ficar sem a medalha.


1. Dê uma boa lida nas regras da corrida antes de se inscrever. Se seu plano é fazer a prova na esteira, certifique-se antes com os organizadores se aceitam esse tipo de comprovação para que o resultado seja validado.

2. Lembre-se: em provas virtuais, você depende apenas do seu GPS. Se vai usar um relógio no dia da corrida ou um aplicativo de celular, tenha a certeza de que seu aparelho está funcionando devidamente e não terá problemas no meio da corrida. Carregue a bateria no máximo e tenha a certeza que ele aguente tempo a mais daquele que você está programando fazer a prova. Se usar um celular, deixe um carregador extra com seu staff para não ser surpreendido.


3. Obtenha todas as informações possíveis no site do evento. Para provas em parceria com o Strava, como Maratona de Nova York, por exemplo, você precisa ter uma conta no Strava (pode ser gratuita), juntar-se ao evento e ainda vincular seu GPS ao Strava para que os resultados da sua corrida sejam validados automaticamente

quando fizer o download da sua corrida. Atente também para que sua atividade esteja configurada como “corrida” ou “prova” e não como “treino”.


4. Programe seu percurso com antecedência. Procure trajetos planos, sem interferências, como semáforos ou calçadas, para que você consiga correr num ritmo sem muita variação. Uma boa dica é mapear um percurso perto da sua casa ou de um familiar, em que você possa dar voltas e ter esse lugar como um ponto de apoio para o caso de precisar ir ao banheiro, trocar um tênis etc.

5. Trate a corrida virtual como se fosse uma corrida presencial. Faça tudo o que costuma fazer numa prova de verdade. Não coma nada que não esteja acostumado na véspera, descanse o máximo que puder, deixe separado tudo o que vai utilizar no dia D. Use roupas e tênis já testados. Não invente nada de novo. Siga sua rotina matinal.

6. Procure envolver o máximo de pessoas possíveis ao redor do seu desafio. Convide amigos para ajudá-lo no apoio, acompanhá-lo em uma distância segura de carro ou mesmo de bike. Chame amigos para correr trechos com você. Imprima seu número de peito, linha de largada e chegada e tudo o que o site oficial disponibilizar. Envolva seus seguidores nas redes sociais anunciando seu desafio.


7. Monte sua estratégia de abastecimento. Se estiver sozinho, provavelmente precisará levar um bolsa de hidratação com você. No caso de ter um ponto de apoio ou mesmo um carro ou uma bike que o siga durante o percurso, programe-se para deixar água, isotônico e tudo o que vai precisar no jeito. Oriente as pessoas que vão ajudá-lo como será sua estratégia.


8. Se tiver a intenção de fazer paradas para hidratação ou qualquer outra coisa, não pause seu GPS de forma nenhuma. Deixe o tempo correr. A maioria dos organizadores não permitem arquivos com pausas para aferição do resultado. O mesmo vale para paradas em semáforos ou em locais que precisa esperar para atravessar. Não pare o cronômetro.

9. Fique de olho na temperatura. A maioria das provas virtuais dão um período de tempo para cumprir a distância. Se esse é o seu caso, confira a previsão e tente se programar para fazer no melhor dia, mas esteja até preparado para alguma flexibilidade (plano B), antecipando ou postergando sua prova, caso haja uma reviravolta no tempo. Para provas que devem ser realizadas num dia específico, tente pelo menos escolher o melhor horário, evitando horários com muito vento, chuva, calor ou umidade.

10. Segurança em primeiro lugar. Como você não terá o apoio de postos médico e de profissionais experientes caso haja alguma emergência, certifique-se que as pessoas o local em que está correndo, principalmente se a área não for muito povoada. Escreva seu nome e telefone atrás do seu número de peito e também em algum lugar visível (como braço, por exemplo), além de informações como tipo sanguíneo e outros dados. Se sua corrida for solitária, carregue com você o celular. Corra sempre no sentido contrário dos carros e não use fones de ouvido

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Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial
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Rumo a desafios cada vez maiores

Nelson Vasconcelos tem 59 anos e é corredor das antigas. São 40 anos dedicados à modalidade, entre idas e vindas. Com 12 maratonas na bagagem, o corredor, que nasceu em Santarém, PA, e mora em Nova Friburgo, RJ, estreou nos 42 km em 2014, no Rio de Janeiro, mesmo ano em que correu sua primeira Major, em Nova York. Cinco anos depois, completou as seis maratonas do circuito em Boston, em 2019. Casado e pai de dois filhos, Nelson conta aqui sua trajetória até chegar às Majors, o desafio de se tornar um Ironman e o sonho de terminar uma Comrades, que foi adiado por conta da pandemia.

MAJORS BRASIL: Fazia algum esporte antes da corrida?

Como a grande a maioria das crianças brasileiras, a minha vida esportiva começou com o futebol, mas o judô foi fundamental na minha formação enquanto indivíduo, porque este esporte é calcado em três princípios: condicionamento físico, espiritual e moral. Pratiquei o judô e o futebol de salão na infância e adolescência; continuei com o judô, futebol de campo e futebol society (fut7) na fase adulta.

MAJORS BRASIL: E quando começou a correr? 

A corrida como um propósito surgiu aos 18 anos. Já na universidade, tive a opção de servir numa escola de formação de Oficiais da Reserva do Exército. Após o curso, já como oficial R2 do EB, fiz a opção de fazer o estágio de instrução na brigada paraquedista, mas precisava passar por vários testes físicos, um deles era correr 10 km com farda de instrução e coturno (botas) no tempo máximo de 1 hora. Foi aí que tudo começou. Descobri na corrida um prazer e um desafio para superar meus limites.

MAJORS BRASIL: Qual foi a sua motivação inicial? 

A prática desportiva sempre esteve presente na minha vida. Primeiro com o futebol, depois com o judô. Como participava de competições intercolegiais, conheci outros esportes, o que despertou o meu interesse em praticá-los. 

MAJORS BRASIL: Seu pai sempre praticou esportes, certo? Qual a influência dele para que você tivesse essa vivência desde cedo no esporte e posteriormente começasse a correr?

Meu pai foi militar e praticou diversas modalidades esportivas (voleibol, corrida e futebol).  Ele sempre me incentivou à prática desportiva. Cheguei até a praticar capoeira por breve tempo na mesma academia que praticava judô. Ele gostava tanto de futebol que fundou uma equipe de futebol amador em Brasília, onde vivi minha infância e parte da adolescência.

MAJORS BRASIL:  Fale sobre sua primeira corrida? O que lembra dela?

A primeira corrida com medalha que eu faço questão de contar foi uma prova de 800 metros. Participei de uma competição na Escola de Educação Física do Exército e obtive o terceiro melhor tempo naquela oportunidade.

Em se tratando de corrida de rua, a primeira foi uma prova de 10 km na Fila Night Run 2ª Etapa, na Barra da Tijuca, no Rio. Esta prova foi interessante, porque, além de ser noturna, metade dela foi corrida no asfalto e os outros 5 km  na areia. Corri com meu filho mais novo e sobrinho e a família toda foi prestigiar. Nesse evento eu despertei para as corridas de rua. De lá pra cá, foram 12 maratonas, 24 meias maratonas, diversas provas de 5 km, 10 km e 12 km, três São Silvestres, aém dos 18 km da Pampulha, das 10 Milhas Bombom Garoto, do Desafio do Dunga. Além disso, completei  maratonas aquáticas do Circuito Rei Rainha do Mar, que passei a fazer como preparativo para as provas de Ironman, pois a natação é a modalidade que preciso treinar mais.

MAJORS BRASIL: Quando se interessou por maratona?

A maratona passou a ser uma meta a ser alcançada após a primeira corrida 21 km, a Meia Internacional do Rio em 2013. Ao término dessa prova, um colega de trabalho virou para mim e disparou: “Partiu maratona em 2014?” Eu sou muito pilhado. Aquela pergunta ficou na minha mente durante toda a semana, mas curti os meus primeiros 21 km por algum tempo. Entretanto, um ingrediente extra me fez definir que correria uma maratona em 2014. Em novembro de 2013, eu estava na casa de uma sobrinha assistindo a um jornal e vi a reportagem sobre a Maratona de Nova York que se realizaria no dia seguinte. Ao ver imagens de edições anteriores na chamada da reportagem, comentei: “Eu sonho um dia correr esta maratona”. Uma sobrinha me zoa com a seguinte frase: “Tio, você quer ir vai, mas vê se não racha a cara da família de vergonha. É pra terminar a prova!” Esse era o combustível que faltava para eu procurar uma equipe de profissionais para realizar esse sonho. O tal amigo do “partiu maratona 2014?” nunca correu uma maratona, mas ele foi importante nesse processo. Em novembro de 2013, eu estava na casa de uma sobrinha assistindo a um jornal e vi a reportagem sobre a maratona de Nova York que se realizaria no dia seguinte. Ao ver imagens de edições anteriores na chamada da reportagem, eu comentei: “Eu sonho um dia correr esta maratona”. Uma sobrinha me zoa com a seguinte frase: “Tio, você quer ir vai, mas vê se não racha a cara a família de vergonha. É pra terminar a prova!”. Era o combustível que faltava para eu procurar uma equipe de profissionais para realizar esse sonho. O tal amigo do “partiu maratona 2014?” nunca correu uma maratona, mas ele foi importante nesse processo.


MAJORS BRASIL:  Quando estreou na distância dos 42 km, quais eram seus medos e receios antes de encarar a distância?

Fiz minha primeira maratona no Brasil em 2014: a Maratona do Rio de Janeiro. Objetivo: saber se conseguiria terminar uma prova de 42 km. Esse era o meu receio, talvez por conta da zoação da sobrinha (rsrs). Em março deste mesmo ano passei a fazer um trabalho de musculação específico. Deu tudo certo. Fiz a prova em 3:53:09. Completei! Agora sim, tinha a certeza que seria possível. Mantive o foco, mas a baixa imunidade pós-maratona me derrubou. Adoeci e tive que diminuir os treinamentos, mas não a vontade de correr em Nova York. Claro que a essa altura dos acontecimentos eu já tinha participado do sorteio para a inscrição na Maratona de Nova York. Não obtendo sucesso, contatei a Kamel Turismo para me ajudar a realizar esse sonho.



MAJORS BRASIL: E como foi sua primeira Major? 


Ainda não sabia o que era uma Major.  Estava determinado a largar nesta prova, que tem quatro ondas de largada, mas todas com o mesmo ritual: hino nacional americano cantado à capela, tiro de canhão e começo ao som de “New York, New York”. Sensação indescritível! A atmosfera é de uma grande festa. Acordei às 4h da manhã, muito frio (3 graus com sensação térmica de 0 no local da largada), e segui para a Biblioteca Pública, onde estão estacionados os ônibus que levam os corredores para Staten Island. A cidade se prepara e, ao longo da blue line, que marca o percurso pelos cinco distritos, os nova-iorquinos aplaudem, gritam o nome do nosso país estampado no número, estendem a mão para um high five. Até aí o choro era de emoção. Afinal, estava realizando um sonho. Mas a prova é muito dura! Um vento cortante e um grande desafio: cruzar as cinco pontes com subidas. E, quando se chega na altura do km 36, o choro agora era de dor. A luta contra o frio intenso e contra as cãibras se mostravam um desafio a mais. O “grande urso” apareceu! E tive que carregá-lo naquela interminável subida. Neste ponto tive a exata noção do quanto é difícil essa prova, mas jamais pensei em desistir. E vieram outras várias subidas nos últimos 5 km, inclusive quando se entra no Central Park. Cruzei a linha de chegada completamente exausto…e mais uma vez vieram as lágrimas… uma emoção incontida! Feliz e realizado, olhei à minha volta, e não encontrei rostos conhecidos para dividir tamanha alegria. Mas pouco importa… completei a Maratona de Nova York. Ainda não sabia que, de fato, aquela era a minha primeira Major.

Maratona de Nova York – Nov. 2014

 


MAJORS BRASIL: Quando de fato começou a perseguir o sonho das 6 Majors? 

A Maratona de Nova York foi minha primeira prova fora do Brasil. Tudo era muito novo para mim. A ideia era correr uma maratona e seguir com outros desafios. Não havia pensado em fazer outras maratonas, mas, conversando com outros corredores após a prova, fiquei sabendo que havia um circuito das maratonas consideradas as maiores do mundo. Foi neste momento que despertei para o mundo das Majors. Nem na Expo me dei conta da existência da tal “mandala” que se ganha após completar a última das seis provas. Pensei: “Não sou de deixar coisas pela metade, incompletas…” Então comecei a ler sobre as Marathon Majors, calendário dessas provas e seus desafios.

 


MAJORS BRASIL:  Você terminou a sequência das seis em Boston 2019. Como foi a emoção de conquistar a mandala numa prova tão lendária?

A sequência da realização das Majors veio de forma aleatória. Isto porque, como são eventos esportivos muito procurados, costumo dizer que são as provas que nos escolhem (rsrs). Já deveria ter corrido Boston em 2017, pois fiz um bom tempo em Chicago, mas por outros motivos acabei não concorrendo no qualify para tentar a vaga naquela ocasião. Correr a Maratona de Boston está para o corredor assim como jogar no Maracanã está para o jogador de futebol. É um sonho, privilégio de poucos. Sim, porque somente cerca de 30.000 corredores podem participar e porque é uma das maiores e mais tradicionais corridas do mundo. Destaco, além do momento em que recebi a mandala, tornando-me um six star finisher, o instante num momento difícil da corrida em que recebi um abraço de uma voluntária. Foi de arrepiar! Restabeleci minhas energias e consegui chegar até a finish line, apesar das fortes dores na lombar.


MAJORS BRASIL:   Como você descreveria hoje cada uma das Majors? Qual gosta mais e qual gosta menos? Se tivesse que escolher uma para repetir??

A Maratona Nova York é a rainha das Majors. Para mim é a mais glamorosa; e que chegada é aquela no Central Park no coração de Manhattan? Bem no meio de uma das cidades mais urbanas e movimentadas do mundo. Todas as Majors têm um atrativo especial. No caso de Chicago, a cidade em si é o ponto alto do evento. O percurso apresenta uma peculiaridade: muita sombra na primeira metade da prova e vento constante na Cidade dos Ventos. Não penso em voltar a Chicago para correr uma maratona. Correr em Tóquio foi inesquecível. Muita organização e rigidez nos locais de acesso. Japoneses muito carinhosos com os corredores durante a prova. Berlim já corri duas vezes. O percurso totalmente plano te convida a tentar superar o próprio recorde. É a que mais me atrai por essa perspectiva. Boston é a cereja do bolo. Tem uma estrutura fantástica, famílias à beira do trajeto te oferecem bebida e comida. Ao longo do percurso das oito cidades (Hopkinton, Ashland, Framingham, Natick, Wellesley, Newton e Brookline e Boston), os moradores incentivam os corredores e gritam o seu nome ou do seu país quando identificam a bandeira na sua camisa.

 

MAJORS BRASIL:  Depois das Six Majors, como ficaram seus objetivos de corrida? Tinha alguma maratona planejada para 2020 ou algum sonho de corrida que teve que ser adiado por conta da pandemia? O que espera para 2021?


No universo da corrida almejava correr em 2020 a minha primeira ultramaratona. Para mim não bastava correr qualquer ultramaratona. Meu sonho era correr Comrades em 2020. Para isso investi em equipamento para correr em casa de forma a não sobrecarregar as articulações nos longões preparatórios para essa prova. A ideia era mesclar treinos em pista, asfalto e indoor. Foi frustrante não realizar esse sonho em 2020. É que as oportunidades se vão e outros eventos passam a ser prioritários. Em 2021 também não vai acontecer, quem sabe em 2022?  Estou inscrito em uma prova de Ironman para o segundo semestre de 2021. É torcer para que ela se realize. Minha dedicação atualmente é só para fazer essa prova.

Londres 2018


MAJORS BRASIL:  O que a corrida significa para você e quais os benefícios que trouxe para sua vida? Como é um dia seu de treino e como concilia com as outras coisas da vida, como trabalho, família, lazer?


Penso que a corrida é mais que uma simples atividade esportiva. Diversas valências físicas são afloradas através desse esporte, como a resistência, a força, o equilíbrio, a agilidade etc. Mas eu entendo que os aspectos mais importantes para o praticante deste esporte estão ligados às alterações fisiológicas e psicológicas que nosso corpo experimenta durante e até após a corrida. É muito comum o aumento da sensação de bem-estar nas pessoas que praticam corrida e sentem falta quando não correm. Existem estudos que indicam a corrida como tratamento para a ansiedade. Isso acontece comigo. A corrida é algo prazeroso e me sinto bem disposto para enfrentar um dia de trabalho após uma corrida.  Treino todos os dias. Acordo às 5h30, porque às 7h já tenho sessão de mobilidade articular (segundas), musculação para pernas (terças) e musculação para braços (quintas). Natação às segunda, quartas e sextas, 2 horas de mountain bike às terças e quintas. Treino de corrida (intervalados, educativos, regenerativos) às segundas e quartas. Aos sábados, 2h30 de bike de triathlon e aos domingos meus longões de corrida. Em suma, são duas atividades ligadas ao esporte por dia, quase sempre na parte da manhã. Há uma pausa de 3 horas para o banho, almoço e um breve descanso, pois às 14h começa a minha jornada de trabalho, que vai até às 20h30, em regra. Família e lazer são prioridades, então, sempre que há programas em família, deixo de seguir o cronograma daquele dia.


MAJORS BRASIL:  Quais conselhos daria para quem quer perseguir o sonho das Majors? 


Primeiramente diria que é um sonho perfeitamente possível. Tem uma frase do Lauro Trevisan que levo comigo desde que comecei a correr: “Vá firme na direção das suas metas. Porque o pensamento cria, o desejo atrai e a fé realiza”. Aconselharia ler bastante sobre as provas, suas logísticas, as mais concorridas e começaria pelas mais distantes, de modo que desistir não seja uma opção.

Berlim 2015

 

MAJORS BRASIL:  Você virou Ironman em 2018. Como o triathlon entrou na sua vida?


O triathlon apareceu para mim a partir da necessidade de nadar para melhorar minha capacidade cardiopulmonar. A natação auxilia na recuperação muscular e contribui para o ganho de resistência aeróbica. É uma forte aliada do corredor, mas eu não tive base de natação na infância e adolescência o que tornou essa modalidade um desafio para mim. A convite de um amigo corredor e nadador, fui a uma aula no Posto 6, em Copacabana, às 6h. A experiência não foi nada boa. Tive pânico, mas não desisti. Procurei me acalmar e após 45 minutos de aula com pouco aproveitamento devido a hiperventilação e ao cansaço físico e emocional, saí da água e decidi que ali seria o ponto de partida para a realização de novos sonhos. Comecei a fazer provas de travessia aquática (beach biathlon, 2,5 km, 3 km ) e daí para o triathlon foi um passo. Entre corredores conheci alguns que já haviam participado de provas de Ironman e acabei me interessando e lendo tudo sobre provas de endurance com três modalidades esportivas. Fiz uma prova de aquathlon (corrida + natação + corrida) e estreei no triathlon fazendo uma prova de X-Terra ( 1000 m de natação + 25 km de mountain bike + 5 km de corrida). Até já completei 3 provas de Ironman 70.3 ( 1900 m de natação + 90 km de ciclismo + 21 km de corrida) e 1 prova de Ironman 140.6 ( 3.800 m de natação + 180 km ciclismo + 42 km de corrida).

Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial
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Amor à primeira maratona

Nascido em Vitória da Conquista, na Bahia, RAFAEL PORTO SILVA tem 35 anos e é Administrador de Empresas e Representante Comercial. Casado com Ana Paula e pai de Davi, o maratonista conta aqui sua trajetória em busca das Majors e sua paixão à primeira vista pela distância da maratona.

“Comecei a correr em 2010 e, durante estes 11 anos, tive a felicidade de fazer 18 maratonas, entre elas 6 Majors na seguinte sequência: Chicago 2014, Nova York 2015, Boston 2016, Berlim 2016, Tóquio 2018 e Londres 2019. Antes de começar a correr, praticava mountain bike, esporte que não gosto de praticar só por conta dos riscos de assalto, acidentes e imprevistos. Como na minha cidade o inverno é rigoroso, nesta época não encontrava parceiros para pedalar. O jeito foi mudar para um esporte ‘individual’, a corrida de rua. Chegou a ser um programa familiar, já que minha irmã e meu pai também começaram a correr.

Minha primeira corrida oficial foi a convite do cliente e amigo Márcio Cardoso, de Jequié, que realizava anualmente a Corrida e Caminhada Solidária do Supermercado Cardoso. Foi paixão à primeira prova. Fiz 10 km, mas fiquei com a sensação que podia mais. Parti para os 21 km e continuei com a mesma sensação.

Estava com viagem marcada para Belo Horizonte para visitar a família de minha esposa e, olhando se teria alguma prova neste período, descubro a 1ª Maratona de Linha Verde. Não tive muito tempo para treinar, mas encarei. Meu maior receio era depois dos 35 km, maior quilometragem que tinha corrida até então. Impressionante! Depois deste ponto, meu corpo doeu demais, mas valeu à pena cruzar aquela linha de chegada (04:03:14). Virei maratonista. Ao invés de aumentar a distância como ocorreu em outras corridas, passei a querer baixar meu tempo nos 42 km.

Depois disso veio Buenos Aires, Santiago, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro (corri com meu pai de ponta a ponta) e aí veio minha primeira Major, a Maratona de Chicago em 2014, meu presente do Dias da Criança. A atmosfera de uma Major é especial – cidade, expo, kit e tudo mais – e pensei ‘vou completar a mandala’.

Na Maratona do Rio, terminando com o pai

Um grande incentivador foi o amigo querido Miguel Dantas, que me contava suas histórias, conquistas e façanhas. Foi também um motivador. Depois veio Paris, Nova York, Boston e Berlim. Esta última foi especial. Fiz meu primeiro Sub 3h (02:59:07) e veio aquela sensação: ‘Será que vou completar as Six Majors?’ Sabia que acesso a Tóquio e Londres eram complexos.

Em seguida, veio Barcelona, Rio de Janeiro e Tóquio. Esta acho que gastei minha sorte. Lembro como se fosse ontem. Acordo às 6h da manhã do dia 25 de setembro de 2017, numa segunda-feira, abro meu e-mail pelo celular e lá está a tão sonhada e desejada mensagem que fui selecionado pra correr na Terra do Sol Nascente. Que alegria. No período de preparação, recebo a notícia que vou ser pai, alegria maior ainda. Médico libera a esposa para fazer esta viagem tão cansativa e com muita garra consigo realizar meu segundo Sub 3h (02:59:11) para homenagear Davi, que estava a caminho.”

Na sequência fiz Porto Alegre e depois a maior loucura que fiz na minha vida como corredor, a doação integral para a Maratona de Londres 2019. Mas valeu demais. Primeiro em saber para onde foi este recurso e enfim por realizar o sonho de conquistar a mandala, sonho que tive a oportunidade de realizar junto com minha esposa em todas as Majors e a última com Davi me esperando na linha e chegada. Melhor, impossível.

Ainda em 2019, fiz Florianópolis (cruzei a linha de chegada com Davi no colo) e em 2020 tive a felicidade de fazer a Maratona de Miami e de quebra baixar meu tempo, com 2:57:46. Na véspera fiz a Tropical 5k com minha mãe.  E logo veio a pandemia.

Recorde pessoal na Maratona de Miami 2020 e Tropical 5k na véspera com a mãe

Detalhe, já fiz a ‘Maratona de São Silvestre’ também (risos).

Continuo fazendo meus treinos. Gosto de ir bem cedo. Nesse momento organizo as ideias, converso com Deus e ainda ganho endorfina para começar o dia a todo vapor. Tenho realizado algumas provas virtuais (máximo 21 km), acreditando que logo tudo isso passará.

A corrida para mim é um espelho da vida. Precisa de planejamento, treinamento, organização, execução e resultado. Temos que saber lidar com altos e baixos. E trouxe qualidade de vida e bem-estar. E ainda conheci muita gente boa (galera do Baldão, DS Trainer, HF Treinamentos Esportivos e tantos outros).

Chegada com o filho na Maratona de Floripa. E os amigos da corrida

Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial

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Haverá maratonas neste outono. Mas como elas serão?

A pandemia de coronavírus eliminou a maioria das corridas de rua nesta primavera. Os organizadores de maratonas esperam que seus eventos possam retornar neste outono com novos protocolos e precauções.

A maratona da cidade de Nova York geralmente contém 55.000 corredores. As autoridades recentemente analisaram aproximadamente 30.000 competidores, entre outras possibilidades.

É uma tradição tanto quanto a Maratona de Nova York e a distância de 42 quilômetros. O estrondo singular de um canhão – e o início do tema de “New York, New York” de Frank Sinatra – enviando milhares de corredores pela linha de largada e pela ponte Verrazzano-Narrows.

Mas essa inundação de humanidade pode parecer um pouco diferente este ano.

Provavelmente haverá milhares de corredores a menos e pode levar muito mais tempo para eles começarem sua jornada. Se houver multidões ao longo das vias, é provável que sejam menores do que o normal, pois os organizadores fazem tudo o que podem para evitar que sua corrida se torne um evento de superespalhamento do coronavírus.

“A maratona vai acontecer? Com certeza”, disse Ted Metellus, o diretor de corrida da Maratona de Nova York, planejado para 7 de novembro. “É como ela vai ser que está em questão.”

Embora Metellus estivesse falando sobre a corrida de Nova York, ele poderia estar descrevendo qualquer uma das três principais maratonas nos Estados Unidos que duram quatro semanas neste outono, em vez de se espalharem por sete meses.

Com a pandemia eliminando os principais eventos de corrida na maior parte de 2020 e na primeira metade deste ano, os organizadores da corrida passaram os últimos meses trabalhando com especialistas em saúde e funcionários do governo para planejar seu retorno. O processo envolve tentar prever como será o mundo em sete meses, porque maratonas não podem ser planejadas (ou treinadas) com algumas semanas de antecedência.

Não é uma tarefa fácil, e os organizadores dizem que não importa os planos que anunciem nas próximas semanas e meses, tudo está sujeito a mudanças.

“Deus sabe o que pode acontecer entre agora e a corrida”, disse Tom Grilk, presidente-executivo da Boston Athletic Association, que conduz a Maratona de Boston, programada para 11 de outubro. “O que aprendemos é que a característica principal dessa pandemia é a incerteza”.

Embora todas as corridas de rua estejam envoltas em incertezas agora, os planos para as maratonas de Nova York, Boston e Chicago, marcada para 10 de outubro, têm um significado especial porque fazem parte da série World Marathon Majors. Essas corridas – junto com as três principais maratonas em Londres, Berlim e Tóquio – oferecem a maior parte dos prêmios em dinheiro, atraem os melhores maratonistas e servem como eventos da lista de desejos para corredores de todos os níveis.

O excesso de corridas neste outono – as de Boston, Londres e Tóquio geralmente acontecem em março e abril – deixou os corredores confusos. Os corredores de elite, que geralmente fazem uma corrida na primavera e outra no outono, devem decidir qual corrida principal correr. A Maratona de Londres está prevista para o dia 3 de outubro. A de Tóquio está marcada para 17 de outubro. A de Berlim está planejada para 26 de setembro.

Os corredores habituais estão avaliando qual corrida lhes dará a melhor chance de inscrição. Na terça-feira, a Maratona de Los Angeles bagunçou ainda mais a programação, anunciando que realizaria sua prova, que normalmente ocorre em fevereiro, no dia 7 de novembro, mesmo dia da corrida de Nova York.

Em um ano típico, os eventos de Boston, Chicago e Nova York atraem um total combinado de mais de 130.000 corredores, gerando dezenas de milhões de dólares para suas organizadoras e cobrindo amplamente os orçamentos para tudo o mais que essas organizações fazem. É improvável que isso aconteça este ano, com as autoridades em Boston e Nova York deixando claro que planejam reduzir significativamente a quantidade de seus competidores.

Carey Pinkowski, presidente-executivo da Maratona de Chicago, não perdeu as esperanças de que sua corrida possa produzir os quase 46.000 finalistas que produziu em 2019, mas disse que este “ano de transição” provavelmente produzirá um evento alterado.

“Acho que ninguém espera que seja no mesmo nível grandioso”, disse Pinkowski. “Vai parecer diferente? Certamente. Vai ser diferente? Certamente.”

Embora os detalhes variem de cidade para cidade, os funcionários estão todos trabalhando a partir de um manual semelhante. Eles estão tentando descobrir algum tipo de regime de testes para participantes e voluntários. Além disso, eles estão lidando com uma série de transformações que levam em consideração o tamanho das vias, o espaço entre os corredores e a logística na linha de largada para manter os corredores afastados com segurança pelo maior tempo possível.

Para competir, os corredores provavelmente serão obrigados a testar negativo para o coronavírus nos dias que antecedem as corridas, embora os organizadores ainda devam determinar quando os testes serão realizados, quem pagaria por eles e as consequências para alguém com resultado positivo.

Quanto ao andamento das corridas, é provável que seja uma experiência muito mais solitária, pelo menos nos primeiros quilômetros, e têm pouca semelhança com a massa humana usual que embarca em uma delegação compartilhada.

Em Nova York, que normalmente planeja uma competição de 55.000 corredores que começam em Staten Island e correm em todos os cinco distritos da cidade, as autoridades debateram recentemente a possibilidade de uma competição com cerca de 30.000 corredores. Mas mesmo um corte de competidores quase pela metade, exigiria fechamentos de ruas mais longos para permitir mais espaçamento entre os participantes.

No passado, demorava cerca de seis minutos para liberar 5.000 corredores. De acordo com um plano que foi discutido, segundo pessoas com conhecimento em planejamento, cerca de uma dúzia de corredores iniciariam a cada quatro segundos, o que significaria levar cerca de 30 minutos para colocar 5.000 corredores na linha de largada se o processo fosse executado com eficiência ideal.

Metellus disse que a New York Road Runners, organização dona da maratona, e as autoridades municipais ainda estavam a semanas de definir um plano, e havia propostas para uma corrida de 45.000 corredores e menos de 25.000 corredores.

As complicações vão além da aglomeração no início de uma grande corrida. Para chegar às remotas linhas de largada em Nova York e Boston, dezenas de milhares de corredores devem embarcar em ônibus e balsas lotadas.

Também há aglomeração na chegada, com corredores exaustos tropeçando, tentando se hidratar, recolher seus pertences e se reunir com familiares, e ao longo do próprio percurso, onde os espectadores ficam horas a fio.

“Podemos produzir a maratona”, disse Metellus. “É tudo uma questão de o que o estado, a cidade e as agências federais permitirão que façamos.” Ele disse que as autoridades ainda não decidiram se exigirão a vacinação.

Mitch Schwartz, porta-voz do prefeito de Nova York Bill de Blasio, disse que as autoridades estão comprometidas com o planejamento de uma corrida segura. “Construir uma recuperação para todos nós significa nos reconectar com eventos icônicos como a maratona, e faremos tudo o que pudermos para continuar essa tradição”, disse ele.

Ao contrário de Nova York e Boston, os organizadores de Chicago em janeiro abriram as inscrições para a corrida, mas ainda não enviaram notificações de aceitação ou anunciaram a quantidade de competidores.

A Maratona de Chicago tem algumas vantagens integradas: A maioria das pessoas pode caminhar ou pegar o transporte público até a área da largada, que fica em um amplo parque no meio da cidade. E as ruas de Chicago são largas, comparadas, digamos, com a Main Street em Hopkinton, Massachusetts, onde começa a Maratona de Boston.

Pinkowski disse que a quantidade de competidores da Maratona de Chicago pode não ser finalizada até o início do verão. Com o aumento das vacinações e a diminuição das taxas de infecção, é possível que quanto mais os funcionários esperarem para tomar uma decisão, maiores e mais normais serão os eventos.

Recentemente, Pinkowski conversou com seu chefe de operações sobre como mudar os contornos do percurso para tornar o que já é um percurso rápido ainda mais rápido. Ele percebeu enquanto falava que era a primeira vez em um tempo que não estava discutindo a logística relacionada à Covid-19.

“Isso foi bom”, disse ele.

Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial

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O dia começa depois que a corrida termina

A Major santista CAMILA SPINELLI morava em São Paulo, capital, até se mudar para Orlando, onde vive há 17 anos e trabalha como corretora de imóveis. Casada e mãe de três filhos, dois meninos e uma menina – com idades entre 15 e 19 anos –, ela viu na corrida a modalidade ideal para praticar uma atividade física com filhos ainda pequenos. “O melhor esporte que encontrei foi ‘empurrar carrinho’ correndo”, conta a maratonista, que tem 48 anos, corre há 16 anos, acumula vários pódios por categoria na Disney e um total de 19 maratonas no currículo, sendo seis delas só em Boston.

MAJORS BRAZIL: Como começou a correr e qual seu passado esportivo antes de a corrida entrar na sua vida?

Sempre gostei de esportes. Fiz dança e equitação (competições). Com filhos pequenos, o melhor esporte que encontrei foi empurrar carrinho correndo (rsrs). Minha primeira corrida foi em São Paulo. Lembro que falei que nunca mais ia fazer essa loucura. Comecei participando de todos os tipos de corridas de rua, como Traço&Field, São Silvestre e outras. Aumentar a distância para a maratona foi um processo de sempre estar me desafiando e procurando desafios para objetivos maiores.

MAJORS BRAZIL: Como foi sua primeira maratona e quais eram seus medos e receios antes de encarar os 42 km? 


Lembro que fui programar uma viagem de família para a California e descobri uma maratona pequena em Santa Monica (2013). Decidi fazer. Em toda maratona o nervoso e o frio na barriga faz parte do pacote. Fui sem expectativas e terminei em 3:55. Fiquei feliz da vida.


MAJORS BRAZIL: Sua primeira Major foi de cara Boston em 2015, onde já acumula 6 participações. Como essa Major tão especial entrou na sua vida?

Foi muito engraçado. Eu já estava morando em Orlando e todo ano fazia as corridas e a Maratona da Disney. Conversando com uma amiga que sabe tudo sobre corrida, ela me perguntou meu tempo na maratona e disse que eu me qualificava para a Maratona de Boston. Sem noção do que era qualificar, fui pesquisar e me inscrevi na Maratona de Boston, minha primeira Major.

MAJORS BRAZIL: Quando começou a perseguir a trajetória em busca das seis Majors?

Um amigo me mandou um link das seis Majors brincando e dizendo que esse era um bom desafio para mim. Também não sabia que existia. Fui pesquisar e comecei a sonhar. A sequência foi acontecendo conforme o calendário familiar (Boston 2015, Chicago 2016, Nova York 2017, Londres 2018, Berlim 2018 e Tóquio 2019).

MAJORS BRAZIL: Como você se define como corredora? Gosta de performance, gosta de correr sozinha, com amigos? Precisa de algum objetivo para treinar?

Corredora feliz! A corrida faz  parte do meu dia. Gosto de performance, de desafio, de objetivos. Corro muito sozinha nos meus horários, mas gosto e corro com amigos também.

MAJORS BRAZIL: Depois das Majors, como ficaram seus objetivos de corrida? Tinha alguma maratona planejada para 2020 ou algum sonho de corrida que teve que ser adiado por conta da pandemia?

Acabei minhas Majors e infelizmente veio o corona. Tinha a Maratona de Boston 2020, que fiz virtual. 

MAJORS BRAZIL: Qual foi se maior desafio na corrida?

Correr Boston e Londres em 2018 (com diferença de uma semana) e acabar as duas maratonas em 3:31.


MAJORS BRAZIL:O que a corrida significa para você? Quais os benefícios que trouxe para sua vida? Como é um dia seu de treino e como concilia com as outras coisas da vida, como trabalho, família, lazer?

Corrida faz parte do meu estilo de vida. O dia começa depois que a corrida termina. Corrida só trouxe e traz coisas boas, como saúde, conhecimentos, amigos, aprendizados, alegrias. Concilio correndo antes ou, se preciso, depois dos compromissos. Mas prefiro correr de manhã. Sem desculpas.


MAJORS BRAZIL: Como são seus treinos em Orlando? Tem algum grupo? Onde treina, como é sua participação em provas? 

Ja deixo a roupa da corrida separada. Acordo, tomo café e vou correr… ou corro por perto da minha casa ou na esteira da academia. No momento, não estou  seguindo planilhas e nem participando de provas. Estou saindo de uma lesão (faz parte), esperando a vida voltar ao normal e torcendo para as maratonas voltarem logo.

Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial

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Tudo em torno da corrida

A médica e empresária SINTHYA JÁCOME corre há 10 anos e tem 7 maratonas no currículo. A estreia nos 42 km aconteceu em 2014, em Berlim, como uma forma de celebrar os 42 anos. “Achei que faria só uma”, conta Sinthya, que, a partir de então começou a trilhar seu caminho em busca da Six Metal, completando Chicago em 2016, Londres e Nova York em 2017 e Tóquio e Boston em 2019. A corredora, que é de Belo Horizonte, MG, e mãe de 2 filhos, conta aqui como começou a correr, como surgiu seu interesse pelas Majors e como faz para conciliar os treinos de corrida com trabalho e família.

MAJORS BRAZIL: Fazia algum esporte antes da corrida? Qual seu passado esportivo? Não tive um passado esportivo brilhante. Na verdade, até os 28 anos, quando tive uma trombose venosa profunda, não fazia nada. Aí comecei a fazer academia, musculação mesmo, mas correr, achava difícil e sofrido. Só 10 anos mais tarde, comecei a correr.

MAJORS BRAZIL: Como e quando começou a correr? Comecei a correr nem sei por quê. Acho que para finalizar os treinos de academia. Mas era difícil. Um dia vi uma provinha de 6 km e resolvi me inscrever. Quase morri! Era cheia de subidas, no Belvedere, em BH.

MAJORS BRAZIL:Quando se interessou por maratona e quais eram seus medos e receios antes de encarar a distância?  Achei que faria só uma. Quando fiz 42 anos, pensei: “Vou fazer 42 km aos 42!” Foi em 2014, em Berlim. Acho que não tive medo. Treino na HF Treinamento Esportivo e eles fazem um trabalho de base muito bom para maratonas. Derrubei muito grandalhão em Berlim. Não tinha pretensão de tempo, só de chegar. Na primeira você fica meio perdida com o seu limite. Cheguei bem, feliz, realizada e inteira.

MAJORS BRAZIL:Quando de fato começou a perseguir o sonho das Majors? Como estabeleceu a sequência delas? No escritório da minha assessoria de corrida tinha uma foto das Majors numa porta. Eu ficava olhando e pensando que, se pudesse, correria todas e seria uma Major. A sequência? Como assim? kkkk Vai na ordem que dá, que você consegue com sorteios, doações, vagas da Kamel, de qualquer jeito.

MAJORS BRAZIL: Como você se define como corredora? Gosta de performance, gosta de correr sozinha, com amigos? Precisa de algum objetivo para treinar? Gosto de correr com amigos, mas treino de ritmo faço sozinha. Tento melhorar meu pace para conseguir meu Sub 4h na próxima maratona. Esse é o objetivo atual. Sempre tenho um, senão não dá.

MAJORS BRAZIL: Quem é seu ídolo no esporte? E na corrida? Meus ídolos são bem próximos. São meus treinadores: Heleno Fortes, Volnei Prado, Everton das Dores. Eu me espelho na força e na raça deles.

MAJORS BRAZIL: Como você descreveria hoje cada uma das Majors? Qual gosta mais e qual gosta menos? Se tivesse que escolher uma para repetir, qual seria? Berlim: estreia. Nova York: diversão. Londres: glamour. Chicago: Superação. Tóquio: sofrimento. Boston: Quero mais.. A que mais gostei foi Nova York. A que menos gostei foi Tóquio (estava um frio de matar). Eu repetiria Boston, que corri 40 dias depois de Tóquio, com o dedinho do pé quebrado, fiz um tempo péssimo. Foi só para pegar a medalha. Queria voltar e correr num pace melhor.

MAJORS BRAZIL:Depois das Six Majors, como ficaram seus objetivos de corrida? Tinha alguma maratona planejada para 2020 ou algum sonho de corrida que teve que ser adiado por conta da pandemia? Para 2020, não tinha, mas em 2021 vou para Frankfurt, se tudo der certo.

MAJORS BRAZIL:O que a corrida significa para você? Quais os benefícios que trouxe para sua vida? Como é um dia do seu de treino e como concilia com as outras coisas da vida, como trabalho, família e lazer? A corrida hoje ocupa uma boa parte da minha vida. Parece que vai tomando conta. Seus amigos começam a ser os amigos da corrida. Você sai com eles, viaja com eles e, quando vê, tudo gira em torno da corrida. A família e o trabalho vão se encaixando aí. Treino à noite durante a semana e pela manhã aos finais de semana.

MAJORS BRAZIL:Quais conselhos daria para quem quer perseguir o sonho das Majors?  Foco! Não desviar dessas provas, porque é um sonho que precisa de dedicação, sai caro e leva tempo. Vale à pena! O orgulho é para sempre.

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Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial
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Global Marathon 2021: AbbottWMM lança maratona virtual

A AbbottWMM anunciou esta semana uma novidade que vai ajudá-lo a manter a motivação em alta nesta fase de pandemia. É a Abbott World Marathon Majors Global Marathon, uma maratona virtual que vai reunir corredores do mundo inteiro  e ainda dar a possibilidade para que participantes com 40 anos ou mais disputem uma vaga para o Age Group World Championships de 2022 (2ª edição do Campeonato Mundial de faixa etária*), com data e sede ainda indefinidas. Serão 100 vagas.

Os inscritos terão 2 dias (48 horas) para cumprir a distância da maratona, de 0h00 do dia 1º de maio de 2021 a 23h59 do dia 2 de maio de 2021 (horário GMT = + 3h no horário de Brasília). As inscrições vão até 19 de março. Aqueles que desejam participar podem optar por 2 tipos de inscrições:

Inscrição Premium
Valor:  US$ 50


– medalha de finisher
– boné de finisher
– bib number especial enviado pelo correio
– participação no ranking da Abbott
– Digital badge
– Os melhores do ranking com 40 anos ou mais podem receber um convite  para o Age Group World Championships de 2022

Inscrição Standard
Valor: US$ 15
– participação no ranking da Abbott
– bib number por e-mail para imprimir
– Digital badge
– Os melhores do ranking com 40 anos ou mais podem receber um convite  para o Age Group World Championships de 2022
Link para Inscrição (linkar para https://app.abbottwmmglobalrunclub.com/en/challenges/details/21-01-awmm-global-marathon-2021 )

Condições para participar
Corredores que desejam participar precisam abrir uma conta no site da AbbottWMM, se inscrever na corrida (Standard ou Premium) e seguir as seguintes condições para ter a atividade validada:
– Correr ou caminhar um total de 26,2 milhas (42.195 metros) entre 0h00 do dia 1º de maio de 2021 e 23h59 do dia 2 de maio de 2021 ((horário GMT = + 3h no horário de Brasília).
– A distância da maratona deve ser completada em apenas uma corrida ou caminhada, de forma contínua e ao ar livre (não serão aceitas atividades em esteira nem pausas no GPS durante a atividade). 
– O dispositivo utilizado deverá estar sincronizado com a conta Global Run Club antes de completar a distância.
– A atividade deverá ser carregada no perfil até 23h59 de segunda-feira, 3 de maio de 2021 (horário GMT = + 3h no horário de Brasília).
– Percursos em descida constante não serão validados.
– Para percursos em circuito, as voltas devem ter mais de 0,5 milha (800 metros).

Condições para disputar uma vaga para o Mundial
Além das condições acima, para ser elegível para o Age Group World Championships de 2022, que distribuirá 100 vagas para os melhores na faixa etária, os corredores precisam cumprir os seguintes requisitos:
– Ter 40 anos ou mais no dia da corrida (1º de maio).
– A faixa etária considerada para o ranking será a do dia da corrida (1º de maio), diferentemente da classificação de provas presencias**, que é baseada na idade no dia 31 de dezembro de 2021. 
– Os corredores devem completar a maratona usando um dispositivo que mostre o tempo de corrida e o perfil no dispositivo deverá estar definido como “público”.
– Os participantes devem ter um perfil Abbott World Marathon Majors (linkar para  https://www.worldmarathonmajors.com) para ser elegível para um convite de Campeonato Mundial.
– Os corredores com melhor desempenho nas faixas etárias poderão ser contatados para que forneçam provas adicionais do desempenho, como o arquivo GPX ou uma prova de performance numa maratona presencial com padrão semelhante realizada a partir de 1º de janeiro de 2019.
– Os vencedores serão notificados diretamente pelos organizadores.
– Aqueles que receberem o convite de qualificação terão que arcar com o custo da inscrição e também com qualquer outro custo da viagem.
________________________________________
Notas:
* A 1ª edição do Age Group World Championships, que estava marcada para abril de 2020, junto com a Maratona de Londres, acontecerá no dia 3 de outubro, na celebração dos 40 anos da prova.
** O calendário das maratonas presenciais que pontuam para o Ranking do Mundial de 2022 tem duração de um ano e começou a contar a partir de 1º de janeiro de 2021. Clique aqui (linkar para https://url.gratis/kbaRM) para conferir a listagem das maratonas válidas para pontuação.

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Sempre acreditei que poderia ser uma “Six Star”

por Fernanda Paradizo

Sou analista de perfil comportamental e como boa “dominante”, logo após uma decisão, já planejo várias ações como “o que fazer para alcançar o quanto antes minhas metas”. Era sedentária até 2013. Até então já tinha tentando correr algumas vezes, mas nada consistente. Em 2014, numa viagem a trabalho para a Disney, vi meu chefe correr o Desafio do Dunga. Sem correr nem 5 km, quis fazer o Desafio. O primeiro ponto foi garantir a inscrição no site (março de 2014). Já estava conseguindo correr 10 km. Depois de inscrita, sabia que tinha que aumentar minhas distâncias. Treinava no parque da cidade e conheci um grupo de corrida, a KMC, que me deu um ciclo social e apoio para correr. Passei literalmente a fazer todas as corridas de final de semana. Depois de duas meias no Rio, uma em julho e outra em agosto, em setembro, corri mais uma meia, em Punta del Este, onde fiz meu melhor tempo (sub 2h). Uma semana depois viajei para a Europa e coloquei Rock’n’ Roll Marathon de Lisboa como meta. Antes da prova, estava na Dinamarca visitando um amigo. Saí para correr enquanto ele trabalhava e fiz um longão sem perceber. Eu me perdi e, quando consegui voltar para casa, já tinha corrido 36 km. Em Lisboa, fiz uma corrida mental e uma coisa que sempre me ajudou: me diverti tirando fotos e filmando ao longo da corrida. Meu lema em 2014 era “work hard, play hard”. A partir daí, se o dinheiro cabia na parcela, eu ia. E depois ganhava mais dinheiro e gastava com viagens de corrida. Hoje tenho uma mentalidade diferente.


MAJORS BRAZIL: Você fez sua primeira Major em 2016 em Berlim e dali em diante foi numa sequência curta entre elas, já emendando Chicago e Nova York em 2016 e Tóquio, Boston e Londres em 2017. Ou seja, em 7 meses já havia completado as 6 Majors. Como foi conciliar tantas provas e viagens em tão curto espaço de tempo?


Eu dei o comando que ia dar certo. Afinal, não ia gastar o dinheirão todo com a viagem e voltar sem a medalha. Sempre fui muito disciplinada quando determinava a fazer algo. Tanto que 2014 e 2015 corri quase todas as provas de rua em Brasília. Mas uma coisa que fazia era cumprir o treino e ainda fazia crossfit, que me deu um excelente condicionamento físico. Eu não fazia muitas coisas além de correr, treinar, trabalhar e viajar. Era legal, mas comecei a perceber que era disfuncional. Eu buscava aprovação das pessoas para me sentir importante. Corri a primeira Major em 2016. E dei tantos “tiros” para fazer as Majors que todas acabaram saindo de uma vez.

MAJORS BRAZIL: Falando um pouco de Boston, você foi por agência e não por índice. Foi algo que aceitou “para você mesma” logo de cara? Ou seja, se quisesse incluir a legendária Boston no seu currículo, teria que recorrer a agência ou mesmo caridade? Muitos corredores não aceitam Boston sem índice. Sofreu algum preconceito por isso? 

E
m abril de 2014, época da maratona, fui para Boston para visitar uma amiga, que morava a uma quadra da largada da prova.  Foi um ano depois do atentado. Senti aquela energia e por um instante quis estar ali correndo. O clima “Boston Strong” era de arrepiar. Foi ali que decidi que queria, mas nem sabia como. Nossa mente pode ser nossa maior força ou nosso maior sabotador. Naquele momento eu poderia escolher esquecer da sensação e me manter na ideia de que Boston não era para mim. Afinal, só os corredores mais rápidos estão ali. Que ousadia a minha querer! Mas ao longo do processo fui correndo e angariando experiências. Maratona para mim é oportunidade de autoconhecimento, superação, mas antes de tudo diversão, troca de culturas, sorrisos e energia. Para alcançar algo, temos que abrir leque de possibilidades para descobrirmos em qual nos encaixamos. Em todas as Majors, existem esse leque: índice para a prova, sorteio, agência credenciada ou caridade.

Aprendi que preconceito vem da nossa cabeça, por uma idéia coletiva que nos é imposta. Sabendo que havia preconceito entre os corredores mais rápidos, pensava: “Quais são as minhas possibilidades para realizar essa prova, já que ela faz parte da jornada que terei que percorrer para a medalha maior?” Foi assim que conheci a Kamel em 2014. Mandei um e-mail e esperei. Entrei na fila e, mesmo pagando, sabia que seria difícil uma vaga. Mas sabia também que por índice não iria, pois nunca tive biotipo “padrão” e também não estava disposta a ficar treinando muito mais por tempo. A corrida era meu lazer, não minha profissão. Vi muita gente se lesionando por querer ir muito além com o corpo. Eu ia “devagar e sempre”. Só fui ter acesso à vaga em 2017, e foi fantástico para mim. Mentalizei já concluindo as 6 Majors. Nunca fui sortuda, nunca fui rápida, mas sempre acreditei que de alguma forma eu poderia ser uma “Six Star”.


MAJORS BRAZIL: Além da dificuldade de conseguir uma vaga para Boston, para completar as Majors, teve que correr atrás de uma inscrição para Londres, que você foi por caridade. Como foi o processo?

A maior dificuldade foi realmente Londres. Entrei no site de todas as empresas de caridade e me inscrevi em 2016. Próximo ao meu aniversário de 2017, tive a notícia da desistência de um voluntário por lesão. Tomei um susto com o valor, que era em libras, mas resolvi seguir adiante. Na época, eu tinha vergonha do dinheiro que ganhava em relação às pessoas de meu convívio e de usufruir disso. Então não sofri muito em doar. A parte financeira estava controlada. Paguei tudo do meu bolso. Fiz a dobradinha famosa: na segunda-feira Boston e, no domingo da mesma semana, Londres. Já entrei em contato com a empresa da WMM para sinalizar que seria minha  última prova. E vou contar um segredo: como queria tirar a foto com todas as medalhas, corri a maratona com as cinco no meu corpo. Conheci outros voluntários e foi uma experiência incrível. Conhecer a causa pela qual você corre é de arrepiar… te da um gás. Algumas coisas não têm preço. Quando completei as Majors em Londres, um amigo me alertou: “Você faz parte das poucas mulheres com esse feito”. Sabe qual era meu defeito? Eu não celebrava essas conquistas. Quando vejo lá em casa as medalhas, as fotos, percebo que fui forjada ao longo dessa linha azul das maratonas.

MAJORS BRAZIL: Como descreveria hoje cada uma das Majors que participou?

Cada prova tem sua beleza. Berlim por toda a história cultural e por ser uma prova plana. Chicago foi um prova bem funcional, com clima ameno e todas as atrações na cidade, como teatros e o Bean,  aquele “grande olho”. Nova York é uma prova mais clichê, com largada perto da estátua da liberdade. Corri na época das eleições americanas e havia várias plaquinhas com trocadilhos da população ao longo do caminho. Passamos por tantos bairros e culturas variadas. Tóquio é algo totalmente diferente e acredito que essa foi essencial ir com a Kamel. Numa terra em que não entendo nada do que dizem, o sorriso das famílias batendo em nossa mão enquanto corremos não tem preço. Japão é um país de cultura, educação e história incríveis. Amei correr e viajar para lá. Boston tem essa elitização dos corredores mais rápidos, mas fiquei bem longe dos últimos. As provas nos EUA são grandiosas. Gosto muito da forma prática deles ao lidar com tudo. E, claro, o clima de nacionalismo na cidade é incrível! Tive oportunidade de correr a edição comemorativa de 50 anos da participação feminina na prova e ainda sair na capa da revista da corrida. Foi dupla honra. Sempre que viajo gosto de correr com a bandeira do Brasil. Amo honrar nosso país. Londres também foi muito especial. Correr pelos monumentos, tirar fotos, fazer farra com o pessoal e receber a grande mandala. 

MAJORS BRAZIL: Como estão seus treinos atualmente? Tinha alguma prova para 2020 que teve que ser adiada? Como foi treinar na pandemia para você?

Minha última maratona foi em 2018. Decidi gerenciar melhor o tempo com os vários cursos que estava fazendo. Então não tinha nenhuma prova agendada. Mas fiquei muito agoniada com a pandemia e comi muito. Acredito que a maioria dos corredores identifica vícios que foram substituídos pela corrida. Se você não lida com eles, eles voltam. Precisei trazer um momento de compreensão de meus sentimentos. Só fui ter coragem de voltar a treinar em setembro. Engatei um programa de treinos, nutrição e acompanhamento médico (estava obesa e com vergonha de mim ao mesmo tempo me cobrava muito). Decidi colocar em prática uma frase do Artur Ashe: “Comece onde está, use o que você tem e faça o que puder”. Agora reforcei que a equação da saúde é treino constante e companhia que agrega nos resultados que você quer alcançar.

MAJORS BRAZIL: O que espera para 2021? Já tem alguma prova programada?

Logo após concluir as Majors já tracei a nova meta: uma longa distância em cada continente. Em 2018, foi no Egito, fazendo 4 voltas de 10 km em Luxor na Sexta-feira Santa deles, em janeiro. Falta Oceania e Antártida. A próxima tão logo eu possa tirar férias (sou servidora pública e acabei de assumir carreira militar) , a rota será a Maratona de Sidney, na Austrália, talvez em julho de 2022. Como estive parada das corridas, até chegando a ficar sedentária, neste ano de 2021 retomarei as corridas de longa distância. Lembrei da sensação de liberdade e quantas idéias me vêm ao longo da jornada.

MAJORS BRAZIL: Um aprendizado que gostaria de passar adiante?
Para quem quer correr as Majors, saiba: eu também sou uma pessoa comum como a maioria, ordinária como você, mas decidi pagar o preço da disciplina, o preço do sucesso. Você também pode ir além e se desafiar. Procure mentores, peça ajuda e persevere. Seu destino também é o sucesso.

Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial

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Inscrições abertas para Chicago 2021

por Fernanda Paradizo

Para quem quer correr a 43ª edição da Maratona de Chicago, marcada para o dia 10 de outubro de 2021, e ainda não tem inscrição, é hora de começar a se movimentar para garantir uma vaga. Os organizadores vão abrir mais uma janela de inscrição, dessa vez para quem não estava inscrito em 2020, que vai do dia 12 de janeiro até 18 de fevereiro. Serão cinco semanas para você tentar a sorte na loteria ou pleitear sua inscrição garantida (por índice técnico de faixa etária ou 5 participações ou mais na prova em 10 anos corridos).

Índice por faixa etária
Se você atender aos padrões de qualificação por faixa etária descritos na tabela abaixo, poderá pleitear uma vaga para a Maratona de Chicago 2021. Para se inscrever, é preciso comprovar tempo numa maratona oficial realizada a partir de 1º de janeiro de 2019. Serão consideradas maratonas com percursos certificados pela World Athletics ou pela confederação de atletismo do país.  Após a conclusão do processo, que pode levar até 10 dias úteis, os corredores receberão e-mail sobre o status de aprovação. Para se inscrever, é preciso cartão de crédito internacional. A taxa de inscrição será debitada  quando a inscrição for aprovada. Caso não seja aprovada, o corredor passa automaticamente a concorrer por uma vaga por sorteio.


Faixa etáriaHomensMulheres
19-2903:05:0003:35:00
30-3903:10:0003:40:00
40-4903:20:0003:50:00
50-5903:35:0004:20:00
60-6904:00:0005:00:00
70-7904:30:0005:55:00
80 ou +05:25:0006:10:00



Loteria

Os candidatos serão notificados por e-mail sobre o status da inscrição em março. Para se inscrever, é preciso cartão de crédito internacional. A taxa de inscrição será debitada automaticamente se o corredor for contemplado.

Legacy Finisher
Se você terminou a Maratona de Chicago cinco ou mais vezes nos últimos 10 anos (entre 2011 e 2019), pode garantir sua vaga para 2021 como um “legacy finisher”. Para se inscrever, é preciso cartão de crédito internacional. A taxa de inscrição será debitada automaticamente quando sua inscrição for aprovada.

NÃO CONSEGUI A VAGA. E AGORA?
Se você não faz parte do grupo que pode pleitear uma inscrição garantida e também não teve sorte na Loteria, não se preocupe. Você ainda pode conseguir sua vaga por meio de duas formas: por Operadores Internacionais ou por Caridade.

Operadores internacionais
Essa é a forma mais fácil de conseguir uma inscrição. Os operadores internacionais de cada país credenciados pela organização têm o direito de vender inscrição garantida para a prova vinculada a pacotes turísticos.  Para isso, você precisa fazer ao menos o pacote terrestre com a agência credenciada, com uma quantidade mínima de diária de hotel, e/ou passagem aérea. Isso varia de agência para agência. É uma boa opção principalmente para quem vai viajar sozinho, para quem tem dificuldade para se comunicar em inglês ou mesmo para quem quer viajar em grupo e conhecer corredores de outras partes do país.

Caridade
Outra forma de conseguir inscrição é por meio da Caridade. A janela para esse processo de inscrição está aberta desde 19 de novembro de 2020 e vai até setembro de 2021. O corredor que quiser obter uma inscrição garantida deverá arrecadar fundos em nome de uma instituição que faça parte do programa oficial de caridade da Maratona de Chicago.  As inscrições são limitadas e estão disponíveis por ordem de chegada. O valor a ser arrecadado varia de instituição para instituição (no mínimo, US$ 1.250 + valor da inscrição). Clique aqui para ver a lista das instituições.
https://events.hakuapp.com/events/693fc72f56d76066d987/charity_partners


INSCRITOS EM 2020
Uma janela de inscrição já foi aberta no final de 2020 para corredores oficialmente inscritos em 2020, ano em que a prova foi cancelada por conta da pandemia. Os corredores puderam optar por uma inscrição para 2021, 2022 ou 2023. Aqueles que não reivindicaram a inscrição para 2021 até 15 de dezembro não poderão mais repassar a vaga para 2021. As inscrições serão automaticamente adiadas para 2022 ou 2023.

percorridos, muitas histórias você terá para lembrar e tenho certeza que irá valer muito à pena.

Fernanda Paradizo
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Foco, força e fé

por Fernanda Paradizo

A paulistana GISELLE ALBUQUERQUE DE LA HIGUERA, de 51 anos, começou a correr em 2004, com o objetivo de adotar uma atividade física fácil de praticar e que não precisasse nada a mais a não ser um tênis no pé.

Os primeiros passos foram dados numa praça do Real Parque, no Morumbi, com auxílio de um personal trainer e a meta de conseguir percorrer 5 km. Mas a motivação mudou quando Giselle, que é engenheira de alimentos, entrou para a assessoria MPR, em fevereiro de 2005. Não demorou para que quisesse alçar objetivos e distâncias bem maiores. A primeira corrida aconteceu logo três meses depois numa prova em equipe, a Volta à Ilha, em Floripa. Na sequência, veio a oportunidade de estrear nos 21 km, logo na Meia maratona do Rio de Janeiro. “Lembro que terminei com uma sensação maravilhosa no corpo, uma felicidade na alma e uma pergunta na cabeça: ‘Meta dos 21 km atingida. E agora?’.”

Corredora há 16 anos e hoje com 11 maratonas no currículo, Giselle conta aqui como começou sua saga pelas maratonas, como surgiu o interesse pelas Majors, a importância do treino em grupo, a emoção de receber sua mandala e o misto de emoções que viveu após cruzar a linha na Maratona de Boston em 2013, ano da explosão das bombas.

MAJORS BRASIL: O que a motivou a encarar uma maratona em 2006? O fato de estar dentro de um grupo de corrida foi decisivo para arriscar distâncias maiores?

No café da manhã antes da Meia do Rio conheci uma aluna MPR, a Fabia, que também ia correr. Fomos juntas para a largada. Dividimos táxi, ficamos amigas e ela me pôs pilha para fazer a inscrição para Chicago. Fazíamos os longos aos sábados bem cedinho na USP. Começávamos todos juntos. Éramos em 10. Ao longo do treino, formavam os subgrupos com paces diferentes. Os treinos longos foram ficando mais leves e fui sentindo melhoria na minha performance. Durante a semana, fazia o treino na esteira da academia. Nestes longos, ouvia muitas histórias, mas sempre falavam do mito dos 32 km, onde ‘os homens se separam dos meninos’ e começava o sofrimento, que ‘maratona é uma prova de 10 km depois dos 32 km’. Isso só aumentava a minha curiosidade para saber como seria essa sensação no meu corpo, na minha alma. Mal sabia eu que a senhora da situação seria a minha mente.

Fazer parte de uma assessoria como a MPR fez toda a diferença. Possibilitou que eu tivesse suporte profissional, orientação técnica e emocional de um excelente coach como o Fabio Rosa e o acompanhamento de todo time MPR (Marcos Paulo, Emerson e Cesar), além de conhecer pessoas maravilhosas. O maior presente que a corrida me deu foram os muitos amigos que fiz e que tenho na minha vida até hoje e as tantas experiências que vivi.


MAJORS BRASIL: Sobre sua estreia nos 42 km, quais eram seus medos e receios antes de encarar a distância?

Medos de ter vontade de ir no banheiro durante a prova, medo de doer, medo de não conseguir terminar, de não dar conta, de fazer bolha, do pace… sempre fico com ‘borboletas’ no estômago.

MAJORS BRASIL:  E como foi sua estreia em Chicago? Conte-nos um pouco sobre sua prova. Ansiedade antes, o trajeto, ritmo, tempo, momento emocionante, momento mais difícil, a emoção de cruzar a linha de chegada? 

Todas as minhas maratonas têm história, mas sem dúvida Chicago foi inesquecível. Pensa naquela pessoa que fez tudo direitinho nos treinos, alimentação, hidratação. Na feira, tinha aquelas pulseirinhas com pace. Eu tinha duas no pulso para saber qual ritmo seguir de acordo com o plano de prova estabelecido pelo Fábio Rosa. Na hora da largada, minha amiga Lili, já experiente, recomenda para eu não esquecer de ligar o relógio antes para o GPS localizar. Ou seja, não esquecer de apertar o start. E lá vamos nós para a largada. Friaca forte. Largou! Ligo o relógio… e ele parou! Ah?! Isso mesmo! Quebrou na largada. Aí a vontade era de teclar a pausa como num controle-remoto e buscar outro relógio. Totalmente perdida, não sabia como ia fazer para saber o pace que estava. Pensei: ‘Segue o coelho, que está com plaquinha do pace e vai em frente’. Aí vejo 3 amigos ‘amarelinhos’, daquele grupo de treinos de 10 da USP. Fui junto até os 32 km. Estava bem, cautelosa, mantendo ritmo e lembro de meu amigo mandar eu seguir sozinha porque ele estava reduzindo o ritmo e eu tinha ‘lenha para queimar’. Lá fui eu até a linha de chegada. Foi show! Terminei muito feliz, satisfeita com meu desempenho e com o tempo muito melhor do que meu plano de prova e das minhas expectativas (3:46:33).

MAJORS BRASIL: Depois da estreia em Chicago 2006, veio Berlim 2007 e Nova York só em 2010. Neste ponto, você já tinha no currículo teoricamente as maratonas do circuito mais fáceis de conseguir inscrição. Quando de fato começou a perseguir o sonho das 6 Majors?

Consegui o índice para Boston em 2012, na Maratona de Buenos. Na verdade, nunca imaginei conseguir o índice. Na ante-véspera da prova, a MPR organiza um jantar e na mesa um rapaz ficou contando as experiências dele em Boston. Fiquei curiosa para saber qual era meu índice e na mesa olhamos o tempo para minha faixa de idade. Durante a prova, percebi que estava bem, naquele dia em que tudo se encaixa perfeitamente. Tinha feito ao longo do ciclo um acompanhamento com Cassio Siqueira, fisioterapeuta de Organização Postural da Care Club, que me ajudou muito. Quando cheguei nos 32 km, percebi que estava dentro do índice. Gritei para o Cesar, coach da MPR: ‘Qual ritmo tenho que correr para o índice de Boston?’ E ele me respondeu: ‘Faz o melhor que você conseguir’. E fiz. Naquele dia, consegui meu índice para Boston 2013 e RP na distância (3:41). Voltei no mesmo dia para casa. Saí da prova direto para o aeroporto. Cheguei em casa exausta e feliz. Quando fiz Boston que realizei que já tinha 4 das Six Majors, pensei: ‘Nossa, agora só faltam duas. Tenho que fazer’.


MAJORS BRASIL: Boston 2013 foi um ano marcante por conta do atentado. Como foi essa prova para você? Onde estava quando explodiram as bombas? Quais eram as preocupações com outros amigos que estavam na prova, de contatar os familiares para dizer que estava bem? Conte-nos como foi passar por isso e que sensação guarda desta prova?

Boston é uma prova tão desejada que ter conquistado estar lá é uma honra. Terminei exatamente como previsto: 3:52:28. Cruzei a linha de chegada 8 minutos antes da explosão. Estava feliz na esquina da Biblioteca para cruzar e passar debaixo da arquibancada e seguir para a entrada do meu hotel, exatamente no lado oposto da explosão da bomba e no lado da tenda médica. Infelizmente vivi momentos de intensa felicidade por completar a prova e imensa tristeza por ver tamanha crueldade. Quando ouvi, sabia que tinha sido uma bomba. Naquela prova tinha levado o celular no bolso da calça e liguei para meu marido chorando e dizendo para ele que tinha acabado de explodir uma bomba. Lembro de dizer que estava vendo muita gente machucada. Ele não entendeu nada. Tinha me acompanhado virtualmente pelo computador e sabia que eu tinha terminado. Disse para eu me acalmar, ir para o hotel e ligar quando chegasse lá. Tive a oportunidade de fazer um curso antes da prova e conhecer o estilo de vida americano. Posso dizer que conheci o lado bom e o lado ruim, uma sensação de insegurança enorme, sem saber o que iria acontecer. Logo que recebi a medalha tirei uma foto e postei no Facebook. A rede social fez com que meus amigos e familiares soubessem que eu estava bem. No dia seguinte, já estava  previsto meu voo de retorno, que era Boston-NY e depois NY-SP. Acordei cedo e consegui fazer o voo interno. Na hora do embarque do voo entre NY-SP, tinham soldados entrevistando um a um. Fui questionada de onde estava vindo e qual era meu tempo. Fui separada para ser entrevistada e naquele momento tive a certeza que quem tinha cometido tamanha crueldade seria encontrado. As lembranças são fortes e penso que se eu tivesse diminuído meu pace na metade da prova a história hoje poderia ser diferente. Naquele dia meu anjo-da-guarda correu ao meu lado.

MAJORS BRASIL: Depois de 4 Majors completadas, você demorou um pouco mais para fazer outra Major. Houve algum motivo especial ou foi mais pela dificuldade de conseguir a vaga para as outras duas provas que faltavam? Você planejou terminar em Tóquio?

Depois de fazer 4 maratonas em 2 anos com 3 delas tendo ciclos fortes de treinos para subidas, lesionei o glúteo. Levei um bom tempo para recuperar e o que me ajudou entre tantas sessões de fisioterapia foi a eletroacupuntura. Aí melhorei. Além disso, teve também a dificuldade de conseguir a vaga. Só consegui em ambas as provas por ter feito Charity. Não planejei terminar em Tóquio, mas, em virtude de toda questão logística envolvida, ficou por último.

MAJORS BRASIL:  Como foi a Maratona de Tóquio e a emoção de completar as 6 Majors do outro lado do mundo?

Sempre a última parece ser a mais difícil. E foi mesmo. Foi com chuva e muito frio. Foi sofrido. Teve força, foco e fé… muita fé! Tive uma lesão pré-prova 3 semanas antes e fiz muita fisioterapia. Mesmo já sendo uma corredora experiente, rolou aquela insegurança. Não era possível que com tudo planejado eu não iria conseguir buscar a minha mandala. No dia da prova, um frio intenso e garoando, fui com a Fabianna Carnaval para a largada. Encontramos a Pat, também aluna MPR, e ficamos aguardando a largada com capa de chuva e tremendo. Na largada, a Fabi e a Pat tinham plano de prova parecido e o meu era bem mais conservador. Logo que largou senti que estava bem e fui junto com elas, mas decidi ser conservadora e, numa atitude de muita amizade e generosidade, a Fabi decidiu seguir comigo. Corremos juntas até perto do km 28 e foi muito bom.

Nós nos divertimos. Dai pra frente, a prova foi dura. Esfriou muito e no final foi sofrido. Mas tive o grito de incentivo do meu marido, Edu, na reta final. Lembro de pensar ‘caramba, não quero que essa prova termine’. Cruzei a linha de chegada agradecendo por tudo, por ter tido a oportunidade de estar lá e viver aquele momento. Teve a torcida de tanta gente querida. Quando você vai completar as Majors recebe um numeral informando que está na sua última prova. Após cruzar a linha de chegada, todos me cumprimentavam, os japoneses aplaudiam, faziam cumprimentos em uma corredor e aí me encaminharam para uma tenda, onde recebi a medalha. Na hora me emocionei muito.  Pensei em todo o esforço e dedicação que tive para chegar lá. Foi um daqueles momentos que você, com sorriso no rosto e mandala no peito, guarda no coração.  Dormi com a sensação de dever cumprido.


MAJORS BRASIL:  Em poucas palavras, como descreveria hoje cada uma das Majors? Se tivesse que escolher uma para repetir, qual seria?

Chicago é plana e alegre. Berlim, plana e lotada. Nova York, uma festa e difícil por tanto sobe e desce. Boston, inesquecível. Londres, uma prova com propósito de Charity. Tóquio, prova organizada e com trechos repetitivos, com idas e voltas no percurso. Se fosse escolher uma para repetir, seria Nova York. A energia e a vibração te empurram até o Central Park. Prova muito alegre e divertida, mas dura e sofrida. Mas quem disse que eu gosto do fácil? (rsrsrs)

MAJORS BRASIL:  Depois das Six Majors, como ficaram seus objetivos de corrida? Tinha alguma maratona planejada para 2020 ou algum sonho de corrida que teve que ser adiado por conta da pandemia?


Depois das Majors, tenho vontade de correr 3 provas: o Desafio do Dunga, a Two Oceans e o Cruce de Los Andes. Estava inscrita no Cruce para dezembro de 2020. Mas ficou para 2021.

MAJORS BRASIL:  O que a corrida significa para você? Quais os benefícios que trouxe para sua vida? Como é um dia seu de treino e como concilia com as outras coisas da vida, como trabalho, família, lazer?

Lógico que correr faz bem à saúde física e mental, mas não é só isso que me faz colocar o tênis. Corro para me conectar e algumas vezes para desligar. Outras para pensar na vida, para orar e também para me desafiar. Os benefícios foram enormes, como auto-conhecimento, determinação e muitos amigos. Treino sempre pela manhã. Acordo com energia e vontade. A noite não funciona para mim. Para conciliar trabalho e família com os treinos, é fundamental bom planejamento, foco, força e fé.

MAJORS BRASIL:  Quais conselhos daria para quem quer perseguir o sonho das Majors?

Para conquistar esse sonho você precisará de planejamento, determinação e vontade. Escolha um time para te orientar. Um bom coach, nutricionista, fisioterapeuta farão toda a diferença. Muitos quilômetros serão percorridos, muitas histórias você terá para lembrar e tenho certeza que irá valer muito à pena.

Fernanda Paradizo
Repórter e Fotógrafa Oficial

 

 

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