A VIDA FEITA DE MOMENTOS

Por Fernando Teixeira da Rocha

Em 2018 participei de um livro cujo tema foi, os feitos e histórias de atletas amadores de atletismo. Teve como ideia principal apresentar aos leitores as dificuldades encontradas, recompensas, vitorias, decepções e, ensinamentos e lições de vida obtidas através do esporte no mundo do amadorismo. Preenchido um formulário padrão de 20 perguntas sobre a sua experiencia no atletismo, as respostas foram checadas pessoalmente pelo escritor.

Neste processo, ao saber que temos um filho morador nos EUA, sondou a possibilidade de ele fazer um contato em seu nome e conseguir algumas palavras para o livro, com a maratonista Gabriele Andersen, a atleta suíça que concluiu a primeira maratona feminina em Jogos Olímpicos, LA, 1984, cambaleando em exaustão total de O2 sofrida durante a prova. Conside rada desde então um ícone de superação e determinação, participando de palestras motivacionais até hoje mundo afora. Após um primeiro contato via fone e, passarmos a nos corresponder por e-mail, ” nos anos 50/60, onde nasci, não havia oportunidades para garotas praticarem alguns esportes como a corrida, só permitidos para homens. Então comecei a correr aos 25 anos. 

Em 1982, mudei para os EUA e iniciei as corridas longas. Em 1983, soube desta primeira prova feminina e, após 1 ano de treinos intensivos duríssimos, aos 39 anos, me qualifiquei para participar. Tive ainda a oportunidade de escolha como representante Suíça por ter dupla nacionalidade”. Em 2023, tive a satisfação de entregar a ela pessoalmente uma cópia do livro – Atletas, seus feitos e suas histórias -, ela constando em Participação Especial.

Foi um encontro INESQUESCIVEL. Chorei de emoção ao ver diante de meus olhos aquela atleta a qual, com seu exemplo, me ajudou tanto a concluir diversas maratonas. Ela foi de uma atenção comigo, me acolheu, me abraçou, me acalmou como se eu fosse o protagonista do encontro e, daí em diante conversamos muito sobre aquele momento vivido por ela. Na época, ” fiquei envergonhada, tinha considerado um fiasco. Somente me dei conta da importância daquilo, anos depois”. em contrapartida seu marido, ” reconheci na hora a grandeza daquele fato que um Estádio Olímpico e, todo o resto do mundo, haviam acabado de presenciar”. Nos despedimos,  minha família, e saímos muito honrados e agradecidos a Deus e ao esporte por termos vividos tal momento de tanta profundidade.

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