
MINHA PAIXÃO POR NOVA YORK
By Raquel Garcia CLASS TOKYO 2025
Minha paixão por Nova York começou ainda na infância, alimentada pelos filmes que eu assistia e, mais tarde, pelas séries que marcaram minha adolescência, como Friends e Seinfeld.
A paixão pela corrida veio alguns anos depois, em 2005, quando dei meus primeiros trotes. Em 2006, quando Marílson venceu a Maratona de Nova York pela primeira vez, fiquei impressionada. Descobrir que a minha cidade favorita recebia uma prova tão grandiosa acendeu um sonho.
Em 2008, enquanto juntava dinheiro para um dia conhecer Nova York, o Marílson venceu novamente. Naquela época quase não existiam provas de rua, e eu ainda buscava conquistar meus primeiros 5 km, correndo por parques e avenidas. Em 2009 participei da minha primeira prova: 6 km corridos sem parar — uma vitória enorme para mim.
Realizei o sonho de conhecer Nova York em 2011. Lembro-me até hoje do encantamento de caminhar pelas ruas que eu só conhecia da TV. No primeiro passeio ao Central Park, procurei ansiosamente a linha de chegada da maratona.
Voltei com meu pai em outubro de 2013. A cidade já estava no clima da prova, com aquele friozinho gostoso. Eu, mais experiente e com várias meias e duas maratonas no currículo, já sonhava de verdade em algum dia alinhar naquela largada.
Depois de anos tentando a sorte no sorteio, recorri a uma agência e finalmente pude me preparar para viver esse sonho em 2015. Assim que cheguei ao hotel, fui recebida pela Denise Amaral. Fiquei encantada em conhecer esse ícone, que já tinha dezenas de maratonas no currículo. Fomos juntas à cerimônia de abertura, e eu absorvia cada dica que ela dava.
No dia 1º de novembro de 2015, posicionada na ponte Verrazzano, me emocionei com o hino, com o canhão e com aquele mar de gente. Foi minha maratona mais lenta — 4h28 — mas nunca quis que acabasse. Filmei, tirei fotos, bati nas mãos das crianças, sorri, chorei… Foi a prova mais marcante da minha vida.
Nove meses depois, me tornei mãe. Meu filho é fruto da alegria daquele dia especial.
Em 2018 voltei a Nova York para comemorar meus 40 anos e tentar o meu primeiro sub-4. O dia estava lindo: frio, céu azul e aquela energia única da cidade. Larguei com foco e deixei que a multidão me impulsionasse. Cruzei a linha de chegada em 3:32:56.
Essa prova mudou minha trajetória. Foi meu primeiro índice para Boston e, no ano seguinte, o que me garantiu a entrada em Chicago. O sonho das Majors começava a tomar forma.
Em 2025 voltei pela terceira vez para a Maratona de Nova York — minha 15ª maratona — e dessa vez no Campeonato Mundial por faixa etária. Cheguei mais longe do que a Raquel de 2012 poderia imaginar. Enquanto corria, pensava em todos que já passaram por aquelas ruas, nos meus amigos e no Marílson, que não venceu sem esforço, sem vencer as subidas e a dor.
Esse pensamento me guiou até o final. Cruzei em 3:01:59, meu recorde pessoal, quarta melhor brasileira e 23ª no mundo.
No ano em que conquistei minha mandala.
Mais do que números, a corrida me permitiu sonhar — e realizar.
E Nova York sempre será especial para mim.
Agradeço ao grande Marílson, à Denise e a todos os amigos que fiz ao longo desses anos de corrida.
E sigo com muitos sonhos pela frente.

